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ALP

Serafiel e a Trombeta

O Peregrino apresenta sua petição a Serafiel, descrevendo as funções cósmicas do anjo como aquele que sustenta o Trono e governa os ciclos de vida e morte.

  • Serafiel é reconhecido como o Intimo atrás do véu, aquele cujo pé repousa sobre o Empíreo e cuja cabeça sustenta o Trono divino.
  • Atribui-se à Trombeta de Serafiel a origem da luz dos sete céus e a animação do corpo e da alma sob o sopro da misericórdia.
  • O anjo é identificado como a causa do colapso universal, capaz de precipitar montanhas ao mar e semear estrelas como poeira.
  • Descreve-se a ação de Serafiel em dispersar os dois mundos no nada e, com um segundo sopro, vestir as criaturas para a Ressurreição.
  • O Peregrino suplica que o anjo lhe insufle a vida ou, alternativamente, que o devolva à terra por meio da morte.

Serafiel rebate a presunção do Peregrino, enfatizando a própria condição de terror diante do Eterno apesar de sua magnitude perante a criação.

  • O anjo censura a infatuação do caminhante, comparando a pretensão deste à de um gato que se imagina um tigre.
  • Serafiel afirma sua prontidão constante para destruir a Morada habitada e colidir o aquém com o além como se fossem vidros.
  • Revela-se que o anjo, para quem o mundo não passa de um grão de mostarda, aproxima-se de Deus sob constante temor.
  • A resposta final ordena o afastamento do Peregrino, para que o anjo possa lamentar sozinho o destino das almas e o próprio fardo.

O Sábio apresenta a natureza de Serafiel como um raio de vida e um anunciador da morte, destacando sua submissão absoluta.

  • Serafiel é descrito como possuidor de uma beleza infinita e glória inigualável entre as hostes angélicas.
  • Relata-se que, por temor a Deus, o anjo permanece diante do Trono em estado de tremor superior ao de um pássaro.

A submissão perpétua ao Criador é estabelecida por meio da presença de um único átomo de temor em relação a Ele.

A condição comum de terror diante dos elementos anula as hostilidades naturais, conforme exemplificado pela convivência forçada entre o gato e o rato em um naufrágio.

  • Em uma embarcação destruída, os antigos inimigos encontram refúgio na mesma tábua e estabelecem entendimento mútuo.
  • O medo das águas retira de ambos a força para o movimento ou a percepção da própria individualidade.
  • Projeta-se que no tumulto da Ressurreição a distinção entre o eu e o outro cessará de existir da mesma forma.
  • A aspereza da via e a proximidade do sagrado são apontadas como causas de interdito e sofrimento para o coração.

A história do escravo do rei demonstra que o amor-próprio e a autocontemplação são incompatíveis com o serviço e a devoção verdadeira.

  • O escravo é descrito com elegância superlativa, possuindo lábios de rosa, face solar e cabelos que cativam as almas.
  • A beleza física do servo é detalhada como um autêntico altar para os apaixonados, possuindo uma cintura fina e hálito quase imperceptível.
  • O rei executa o escravo com um golpe de sabre no momento em que este desvia o olhar do serviço para contemplar a própria imagem.
  • O monarca questiona se o servo é um adorador de si mesmo ou um servidor, ordenando que ele se retire para a própria companhia caso prefira a autoerótica.
  • Estabelece-se que aquele que se compraz na própria observação está, na verdade, servindo a si mesmo e não ao senhor.

A posição da pupila no olho é justificada por sua incapacidade de olhar para si mesma, servindo de metáfora para os perigos da Proximidade.

O diálogo entre o sultão Mahmud e Ayaz revela que a vigilância constante sob a graça é mais árdua do que a própria morte física.

  • Mahmud ordena a retirada de Ayaz antes da execução de um criminoso, desejando poupar o favorito da visão da ira real.
  • Ayaz afirma que o executado é afortunado por ser libertado de uma vez do tormento e da pena mundana.
  • O favorito descreve sua própria condição como a de alguém transpassado diariamente pela espada do temor diante do rei.
  • Conclui-se que manter a cortesia e a circunspecção diante do soberano é mais difícil do que enfrentar a decapitação cem vezes.

A magnitude da prova é diretamente proporcional à grandeza da graça recebida pelo indivíduo.

A resposta de um louco a um homem compassivo ilustra a percepção de que a privação é uma forma de manutenção do vínculo com o Divino.

  • O louco solicita alimento em voz baixa, advertindo o benfeitor para que Deus não ouça o segredo da oferta.
  • Argumenta-se que, se a divindade percebesse a tentativa de auxílio, impediria o sustento e exigiria o fim da vida do suplicante.
  • A fome é apresentada como o meio pelo qual o Amigo se desprende dos dias mundanos para ansiar apenas pelo Amado.

Um antigo devoto, tornado louco e marginalizado pela sociedade, adverte um jovem sobre as feridas inerentes à busca pela Fé.

  • O homem, que vive há cinquenta anos na poeira e é alvo de escárnio, traz os olhos injetados de sangue e o coração em chamas.
  • Ao ver um jovem entrando na mesquita, o ancião ordena que ele fuja para evitar a ferida que o quebrou.
  • Afirma-se que a União não é uma oferta cotidiana e que o ingresso na Via implica ser apreendido por uma mão violenta.
  • O estado de desvario do louco é apresentado como a consequência direta de ter um dia buscado cumprir o dever religioso.
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