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ALP

Miguel e a Providência

O Peregrino dirige-se a Miguel como ao detentor das chaves do universo e mantenedor da vida, reconhecendo sua autoridade sobre os fenômenos naturais e o sustento das criaturas.

  • Miguel é saudado como o Dispensador de todas as reservas, aquele sem o qual nenhum grão seria consumido na terra.
  • Atribui-se ao anjo o controle sobre as nuvens, a chuva e o vento, sendo ele a fonte da frescura eterna da criação e o motor dos fenômenos meteorológicos.
  • O Peregrino descreve a ação angélica como a de um pai que nutre a planta no jardim e desenha o arco-íris para o crescimento da vida vegetal.
  • O caminhante identifica-se como um filho do Amor e suplica por adoção para que possa superar seu estado de luto espiritual.

Miguel revela sua própria angústia e submissão ao trabalho incessante, negando possuir a chave para a abertura da porta buscada pelo Peregrino.

  • O anjo descreve sua existência como um ciclo de fervor e paixão, onde atua de leste a oeste na gestão das águas e dos raios.
  • O trovão é interpretado como o grito de um coração em sofrimento, enquanto a neve e a chuva são apresentadas como as lágrimas inumeráveis de Miguel.
  • Miguel declara-se perturbado pelas próprias obrigações, passando dias e noites em tormento e pena contínuos.
  • A resposta final estabelece que a porta da busca não pode ser aberta pelo anjo, mas apenas pelo próprio Peregrino.

O Sábio esclarece que a alma de Miguel é a personificação da subsistência, emanada do Verdadeiro Provedor que sustenta os dois mundos.

  • Afirma-se que o Provedor supremo concede com liberalidade tanto o pão cotidiano quanto a graça espiritual para a eternidade.
  • Estabelece-se que a incapacidade de reconhecer a divindade como provedora máxima exclui o indivíduo da aptidão para o pilar do peregrino.

Oração de Barkh o Negro

Barkh o Negro, um servo de Deus tomado pela loucura do amor, torna-se o intermediário necessário para cessar a seca que assolava o povo de Israel no tempo de Moisés.

  • Moisés, o Interlocutor, fracassa em suas tentativas repetidas de obter chuva através da oração formal na planície.
  • Deus revela a Moisés, em segredo, que apenas a petição de Barkh tem o poder de ser realizada naquele momento de ruína e fome.
  • Barkh é descrito como um homem de alma fresca cuja devoção faz ruborizar a própria face da fé.

A oração audaciosa de Barkh questiona a generosidade divina e exige o sustento das criaturas, resultando em um milagre imediato de fertilidade.

  • Barkh intercede diante do Criador argumentando que, se o homem foi feito de argila, é dever da divindade garantir-lhe a subsistência.
  • O servo questiona se a bondade divina teria se esgotado ou se o Oceano de benefícios estaria agora retido por temor de escassez.
  • Sob o efeito das palavras de Barkh, as plantas crescem instantaneamente à altura de homens e o universo recupera sua cor verdejante.

Moisés sente indignação diante da insolência de Barkh, mas é advertido pela voz divina sobre a singularidade do vínculo entre o servo negro e o Criador.

  • Barkh indaga Moisés sobre a eficácia de sua eloquência e a autoridade de seu discurso perante Deus.
  • A raiva de Moisés ferve como um oceano ao presenciar tamanho descaramento vinda de um homem aparentemente extraviado.
  • A voz divina ordena que Moisés não se irrite, pois a benevolência de Deus se alegra três vezes ao dia com a sinceridade e o modo particular de ser de Barkh.

A ignorância humana é denunciada através da analogia da natureza servil do asno, apontando para a inversão de valores na vida mundana.

  • Aquele que se limita a comer, dormir e maldizer é comparado a um asno, sendo indigno de compreender os segredos do Amor.
  • O texto aponta para a confusão entre a decadência física e a vitalidade, onde a morte do coração é erroneamente chamada de vida.
  • Menciona-se que o sono de Abraão resultou no evento do infanticídio, servindo de alerta contra a negligência espiritual.
  • Critica-se a busca por reputação e a cobiça como formas de cegueira que aprisionam o homem em uma existência sem frutos.

O caminho para a clemência divina requer a travessia voluntária pelo vale da ira, sendo o sofrimento o único remédio eficaz.

  • Um homem Perfeito afirma que a via é repleta de penas cativantes das quais os homens fogem por medo.
  • A recepção de uma nova vida a cada sopro é condicionada ao olhar de bondade que Deus lança sobre aquele que suporta a provação.
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