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ALP

O Empíreo e o Limite da Manifestação

O Peregrino apresenta sua petição diante do Empíreo, reconhecendo-o como a fronteira última entre o corpo e a alma e o receptáculo da luz que banha os paraísos.

  • O Empíreo é saudado como o primeiro fundamento do mundo e o último corpo a subsistir, agindo como o mistério que recobre tanto a parte quanto o todo.
  • Atribui-se a essa esfera a função de limite para os espíritos e Kaaba eterna para as realidades hieráticas, sustentada por centenas de miríades de seres querubínicos em adoração.
  • O Peregrino descreve a prosperidade do Empíreo como uma emanação direta da misericórdia do Muito Misericordioso, rogando que tal grandeza lhe aponte o caminho.

O Empíreo responde com um relato de exaustão e precariedade, revelando que sua majestade é apenas nominal e que sua existência flutua sobre as águas como uma bolha.

  • A esfera majestosa confessa não possuir repouso, comparando-se a um lobo faminto que caminha com o ventre vazio e a boca ensanguentada.
  • O Empíreo declara seu tremor diante da morte e a impossibilidade de enfrentar a divindade, afirmando que a pureza da fonte se assombrece ao atingi-lo.
  • Relata-se que o Trono se desvia sob seus passos e que, no dia da Ressurreição, o acerto de contas sobre o segredo confiado lhe será um fardo doloroso.
  • O conselho dado ao Peregrino é que ele, como o próprio Empíreo, deve dar de beber com seu sangue a terra da dor.

O Sábio define o Empíreo como um mundo de clemência e luz pura, servindo de canal para que a misericórdia divina se espalhe sobre a Terra.

  • Afirma-se que toda manifestação de clemência nos dois mundos é, em essência, uma partícula derivada do Empíreo misericordioso.

A magnanimidade terrena é apresentada como um reflexo da Luz celeste, sendo a misericórdia para com o inferior o meio de preservação contra o horror infernal.

A Justiça de Malekshah e a Prece da Viúva

Malekshah é confrontado por uma viúva cujos filhos ficaram órfãos de sustento após os soldados do rei abaterem sua única vaca durante uma caçada.

  • A mulher, diante de uma ponte, adverte o filho de Alp Arslan que, caso a justiça não lhe seja feita naquele momento, ela a reclamará diante da ponte de Chinvat no julgamento divino.
  • A viúva enfatiza que a prece de uma mulher pobre ao amanhecer é capaz de anular a força de cem Rostams e que a autoridade real não prevalece sobre Deus.
  • O rei, tomado por temor espiritual e perturbação, compensa a mulher com setenta vacas de seu próprio rebanho e pune os servos responsáveis pelo ato.
  • A gratidão da velha manifesta-se em uma prece ardente que solicita o perdão divino para as faltas de Malekshah, abrindo-lhe as portas da fortuna no outro mundo.

Um sonho revela que a salvação de Malekshah e a queda do peso de seus ombros decorreram exclusivamente da intercessão daquela mulher humilde.

  • Conclui-se que a generosidade do príncipe foi o prelúdio necessário para que a oração da viúva lhe garantisse a felicidade eterna.
  • Estabelece-se que a estação da misericórdia é a mais elevada entre todas as posições espirituais.

A Generosidade como Sinal da Fé

O perdão de Mahmud a um agente que dilapidou seus bens ilustra como a consciência da abundância do senhor permite a clemência para com o desprovido.

  • O homem justifica o gasto da fortuna real alegando ter contado com a prodigalidade de Mahmud, que possui riquezas imensas enquanto ele nada possuía.
  • O rei, satisfeito com a lógica da dependência e da confiança em sua grandeza, opta pelo esquecimento da dívida e pelo perdão ao súdito.

A libertação das quatrocentas servas por Faraó demonstra que o esforço e a intenção de servir merecem recompensa, mesmo quando o objetivo final é atingido por apenas uma pessoa.

  • Faraó promete liberdade à serva que resgatar o cofre de Moisés das águas, mas acaba por libertar todas as que se lançaram ao rio.
  • O soberano justifica o ato afirmando que todas agiram movidas pela esperança de vencer e que deixá-las sem prêmio transformaria o dia em noite profunda para elas.
  • Observa-se que, embora Faraó portasse traços de generosidade, a ausência da abertura pré-eterna por parte de Deus impediu que ele alcançasse a Proximidade desejada.

A abertura da Via depende de uma decisão pré-eterna da divindade, que pode abrir cem portas a cada instante para aquele a quem escolheu agraciar.

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