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ALP
O Trono e a Busca pelo Invisível
O Peregrino alcança o Trono sobre um solo de sangue e lama, reconhecendo-o como a sede da majestade que governa o zodíaco e a ordem dos astros.
- O Trono é louvado como o detentor da abóbada cravejada de joias, em torno da qual giram miríades de cúpulas e as pérolas das esferas.
- Atribui-se a esta estação o controle sobre o levante e o poente, sendo o ponto de origem de toda busca e o eixo da extensão absoluta.
- O versículo Ayat al-Kursi é mencionado como a prova definitiva da autoridade, pureza e verdade que emanam desta posição sublime.
- O Peregrino suplica que o Trono o conduza ao objetivo final, confiando na fortuna e no posto ocupado por tal entidade.
O Trono responde com um relato de inquietação e busca incessante, revelando que sua natureza está presa à tarefa de orbitar sem jamais atingir a plenitude do encontro.
- O Trono confessa estar atado ao seu lugar, repetindo o versículo sagrado enquanto mantém a face voltada para o Empíreo em uma rota de milênios.
- A existência desta entidade é comparada a uma bola de jogo, golpeada de porta em porta, sem jamais capturar o perfume definitivo do Amado.
- Estabelece-se que aquele que desconhece o segredo último da via não possui a faculdade de guiar outrem.
O Sábio define a essência do Trono como a imensidão que eleva e rebaixa os céus, agindo como a joia invisível que ilumina as sete esferas.
- Cada astro é descrito como uma pérola em busca, movida pela exultação da presença divina e gerando uma alegria renovada a cada instante.
A Realeza e a Ilusão do Poder Terreno
A soberania autêntica provém da percepção do sentido oculto, enquanto o reino terrestre, mesmo em seu apogeu, fundamenta-se na vacuidade do vento.
- Harun al-Rashid, ao enfrentar uma sede devastadora no deserto, admite que trocaria metade de seu reino por uma medida de água e a outra metade pela capacidade de evacuá-la.
- Um homem piedoso adverte o soberano sobre a nulidade de um império cujo valor total equivale a apenas algumas poucas goladas de água.
- Exorta-se o rei a buscar o reino futuro, que é eterno, e a praticar a justiça tratando os súditos como a si mesmo.
Anushirvan, o Justo, é confrontado por um louco em ruínas que denuncia a falsidade de sua fama de justiça diante da disparidade das condições de vida.
- O homem desprovido, que vive entre tijolos secos e sofre com as intempéries, questiona como o rei pode se dizer justo enquanto repousa em leitos de ouro.
- A justiça real é contestada por não compartilhar da provação e do desamparo daqueles que habitam os horizontes sob as ordens do monarca.
- O rei, movido ao pranto, tenta oferecer sustento, mas o louco recusa a intervenção humana, preferindo o lugar de sua própria morte ao conforto oferecido pela corte.
Define-se o justo como aquele que exerce a equidade de modo inconsciente, sem distinguir entre grandes e pequenos e sacrificando-se até pelo bem de uma formiga.
A Mendicância dos Reis e a Verdadeira Riqueza
Bohlul demonstra desprezo pelas dádivas reais ao lançar a comida recebida do Príncipe aos cães, afirmando que os animais se recusariam a tocá-la se soubessem a origem daquela infâmia.
O mestre Sandjar é advertido por um anacoreta a não agir como lobo sendo pastor, criticando a busca por coroas de ouro ao custo do sangue de um povo empobrecido.
Um ancião oferece um dirham enegrecido a Sandjar por considerá-lo o homem mais necessitado do mundo, visto que o rei mendiga em cada mesquita e bazar para manter seu reinado.
- O velho afirma que o rei consome a vida alheia a cada sopro, extraindo partes da subsistência de todos sem jamais saciar seu coração de pedra.
Mestre Akkafi designa o Príncipe como o verdadeiro dervixe de seu tempo, pois toda a sua riqueza pertence, de fato, ao povo e ele atua apenas como um guarda de bens alheios.
- Argumenta-se que possuir tudo sem que nada lhe pertença de direito torna o soberano mais pobre do que qualquer súdito.
Sadid Amberi explica ao sultão Mahmud o segredo da honra e do abatimento, contrastando sua própria satisfação com uma esteira e uma jarra frente à cobiça ilimitada do rei.
- O sábio afirma que sua liberdade decorre de nada possuir, enquanto a grandeza do rei é uma forma de fraqueza que exige a pilhagem dos sete climas.
- A advertência final lembra que a bebida da vida não será servida uma segunda vez àqueles que desperdiçam a fé em troca de tronos temporais.
Bohlul, ao ser espancado pelos guardas após sentar-se brevemente no trono de Harun, alerta o califa sobre o destino terrível que o aguarda por ocupar tal lugar por toda uma vida.
- O louco constata que, se um único instante de usurpação lhe custou o sangue e o corpo ferido, a permanência prolongada no poder resultará em ossos quebrados na eternidade.
