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BALYANI

Awhad al-din Balyani

Know Yourself. An explanation of the oneness of being. From Arabic manuscripts attributed to Muhyiddin Ibn Arabi and also to Awhad al-din Balyani. Translation and introduction by CECILIA TWINCH. Beshara Publications

Awhad al-din Balyani, conhecido também como Abu Abdallah Balyani, foi um sheikh sufi persa de Shiraz cujas informações biográficas confiáveis são escassas e restritas a círculos acadêmicos e sufis.

  • Michel Chodkiewicz e James W. Morris basearam suas pesquisas sobretudo na nota biográfica da obra Nafahat al-uns (As Respirações da Intimidade), do escritor persa Jami (m. 1492)
  • Jami pertencia à escola de Ibn Arabi e escreveu um comentário famoso sobre o Fusus al-hikam (As Pedras de Anel da Sabedoria) de Ibn Arabi

Balyani descende de uma linhagem sufi que remonta a Abu Ali Daqqaq e recebeu formação espiritual profunda, marcada pelo isolamento e pelo contato com mestres da tradição.

  • Qushayri (m. 1074), genro e herdeiro espiritual de Abu Ali Daqqaq, autor de uma importante Epístola sobre o Sufismo mencionada por Ibn Arabi, integra a genealogia espiritual de Balyani
  • Balyani descende espiritualmente de Abu Najib al-Suhrawardi (m. 1168), fundador da ordem sufi Suhrawardiyya
  • Balyani viveu onze anos em reclusão no Monte Ligam e conviveu com mestres sufis
  • Seu pai afirmava: “Tudo o que pedi a Deus, dei ao meu filho Abdallah; o que Deus me abriu como uma pequena fresta, Ele abriu para meu filho como um portão escancarado”

Balyani relaciona-se com a corrente do pensamento islâmico centrada na unidade do ser, ainda que com ênfases distintas das de Ibn Arabi.

  • Balyani é descrito como discípulo do poeta místico Shushtari (m. 1269)
  • Shushtari foi discípulo destacado do andaluz Ibn Sabim (m. 1270), contemporâneo próximo de Ibn Arabi
  • Ibn Sabim, assim como Ibn Arabi, nasceu em Murcia e passou por Norte da África, Egito e Meca, onde morreu
  • Tanto Ibn Sabim quanto Balyani tendem a enfatizar a natureza ilusória do mundo — ao contrário de Ibn Arabi, que não nega a realidade do mundo, mas o vê como lugar da autorrevelação divina

A insistência de Balyani no “somente Deus” é considerada potencialmente perigosa quando desvinculada de seu contexto espiritual e cultural integral, embora tal risco deva ser ponderado à luz das condições contemporâneas.

  • O acesso generalizado à informação na sociedade global exige de cada indivíduo discernimento próprio sobre o valor do que lhe é oferecido
  • Isso não elimina a necessidade de orientação prática confiável no caminho espiritual, de bom senso, rigor racional e observância de obrigações morais
  • A obra de Balyani é um breve e poético vislumbre surgido de um amplo arcabouço espiritual e cultural — pode ser lida de forma independente, mas a narrativa cautelar a seguir deve ser levada em conta

A história narrada por Jami no Nafahat al-uns ilustra os perigos de uma aplicação precipitada e sem maturidade do ensinamento da unicidade absoluta.

  • Um discípulo de Balyani, em retiro numa montanha, tentou agarrar uma serpente e foi picado, com os membros inchando em seguida
  • O discípulo justificou sua atitude pelas palavras do próprio mestre: “Você mesmo disse que não há nada além de Deus. Ao ver a serpente, vi somente Deus. Tomei coragem e a agarrei!”
  • Balyani respondeu: “Quando Deus se manifesta a você sob o aspecto do poder aterrorizante, fuja! Não se aproxime dele, caso contrário a mesma coisa voltará a acontecer com você!”
  • O mestre orientou o discípulo: “Refreia-te de agir com tamanha ousadia até que O conheças perfeitamente”
  • Após recitar invocações e soprar sobre o discípulo, o inchaço cedeu e ele foi curado
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