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EXEGESE

“Se rendre immortel suivi du “Traité de la résurrection” par Mollâ Sadrâ Shîrâzî”, Fata Morgana, 2000

O ta'wīl como exegese espiritual e libertação do ser

  • A natureza e o propósito do ta'wīl
    • O ta'wīl consiste em elevar o ensinamento literal da revelação a um nível superior aos eventos naturais ou históricos.
    • Essa prática promove a entrega da forma à sua potência máxima, identificada como o sentido oculto ou interior.
    • O zâhir é reconduído ao bâtin, permitindo que o aparente manifeste sua riqueza ontológica real.
    • O processo exige uma conversão do olhar e uma inversão do aparente em direção à sua verdadeira intenção espiritual.
    • Não se trata de abstração, mas de uma intensificação da forma ao conjugar—se com a matéria sutil da alma e as virtualidades da Inteligência.
    • O ta'wīl evita a interpretação alegórica arbitrária, buscando o deslocamento do real para seu estrato ontológico adequado.
  • O ta'wīl como via de liberdade e gnose
    • A presença do sentido é fundamentalmente móvel e se involui até o centro infinito da ciência divina.
    • Ao contrário do comando literal limitado, o ta'wīl nunca se fecha em prescrições totalitárias.
    • A obediência cega à lei converte—se em gnose, saber e vida através da ciência da interpretação.
    • Na terra do Islã, o ta'wīl representa a via real da liberdade, em oposição à servidão do literalismo.
    • Pela exegese, a norma jurídica ou religiosa transforma—se em uma decisão consciente do sujeito.
  • O fundamento ontológico e a hierarquia dos mundos
    • A exegese fundamenta—se em uma hierarquia de mundos e acompanha o movimento do próprio existente.
    • O ato de ser é levado do sensível material até o nível onde o inteligível se corporifica nos esquemas do imaginal.
    • Essa renascimento do aparente salva a letra de ser uma norma estéril e opressiva baseada no consentimento servil.
    • No ponto onde o aparente manifesta sua potência simbólica, o indivíduo descobre sua própria exegese e se cumpre como sujeito.
    • O ta'wīl é, em última análise, um trabalho de si sobre si e uma metamorfose ascensional rumo ao mundo imaginal.
  • A união entre sujeito, símbolo e conhecimento eterno
    • Não é o simbolizado que aparece, mas o próprio símbolo transmutado como ato de ser do sujeito ativo.
    • A prática do ta'wīl assemelha—se à reminiscência platônica, onde a alma desperta para a pluralidade infinita de seu saber.
    • Praticar a exegese é experimentar a letra em espírito, revelando a verdade eterna conhecida em Deus.
    • O movimento da letra ao símbolo coincide com o movimento intrasubstancial do real que se intensifica.
    • A exegese atinge sua plenitude na unidade entre o sujeito que intelecciona, o objeto inteleccionado e o ato de intelecção.
    • O ta'wīl define—se como um amor intelectual e imaginal por Deus, orientado pelo Guia ou Imã interior.
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