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IDEIA
“Se rendre immortel suivi du “Traité de la résurrection” par Mollâ Sadrâ Shîrâzî”, Fata Morgana, 2000
- A ontologia da manifestação estabelece uma distinção fundamental entre o ato de ser e a quididade, comparável à relação entre forma e matéria.
- Diferença de estatutos entre wojûd — ato de ser — e mâhîya — quididade.
- Analogia com as categorias de ato e potência, forma e matéria em Mollâ Sadrâ.
- A quididade manifesta-se como resposta à indagação sobre a essência da substância, identificando-se com a substância segunda ou espécie.
- Questão fundamental — que é ela? — aplicada à substância.
- Juízo de atribuição quiditativo com função de ligar o sujeito à substância segunda.
- Primazia da espécie sobre atributos de quantidade, qualidade, relação, tempo e lugar.
- A quididade situa-se no domínio da matéria por ser um universal abstrato destinado à especificação.
- Tese peripatética do gênero como matéria para a diferença.
- Matéria definida como o universal abstrato em oposição à ipsedade concreta.
- Forma entendida como o real efetivo e traço da instauração do ser.
- A tradição aristotélica trata a relação entre gênero e matéria de forma metafórica, enquanto Mollâ Sadrâ a interpreta de modo literal e ontológico.
- Caráter abstrato da matéria e da quididade.
- Definição de quididade como determinação comum extraída pela inteligência discursiva.
- Identificação da quididade e da matéria como nomes do não-ser e da limitação — hadd.
- A ascensão em direção à forma pura e à inteligência implica o abandono das limitações da espécie e do gênero em busca da unidade absoluta.
- Tendência ao ato de ser puro sem matéria.
- Alcance de singularidades puras e unificação integral no Único.
- Movimento intrassubstancial como metamorfose para despojar o que é comum.
- O mundo sensível promove a abstração ao velar o ato de ser sob a aparência da matéria universal, resultando em uma percepção enganosa da realidade.
- Presença do não-ser através da participação na matéria universal sensível.
- Ocultamento do indivíduo em favor da espécie.
- Necessidade do conhecimento presencial para retornar à raiz no Malakût e ao Um.
- As quididades representam uma falha no ser e entravam a singularidade máxima do ato de existir.
- Quiddidade como marca de deficiência e limitação da intensidade ontológica.
- Comunidades políticas e sociais vistas como realizações fixas de quididades comuns.
- Oposição entre o espaço comum limitado e o agrupamento espiritual das singularidades no Um.
- A queda ontológica manifesta-se na pluralização em indivíduos abstratos pertencentes a espécies comuns, distantes da unidade das Inteligências.
- Inteligências como subjetividades puras sem gênero ou espécie.
- Ausência de termos comuns entre os nomes divinos.
- Mundo da Inteligência como domínio da necessidade e existência puras sem não-ser.
- As quididades não possuem existência própria, surgindo apenas quando a efusão da luz divina enfraquece e se materializa em corpos e almas.
- Queda da luz infinita através da multiplicação e do obscurecimento.
- Emergência de gêneros e espécies no grau inferior da natureza.
- Debate sobre a estabilidade da realidade inteligível versus o não-ser da quididade.
- Avicena interpreta as Ideias platônicas como duplicação da realidade entre modelos inteligíveis eternos e cópias sensíveis corruptíveis.
- Distinção entre homem inteligível — archétipo — e homem sensível.
- Redução do binômio inteligível-sensível à relação modelo-cópia — al-mithâl.
- Crítica de Avicena à suposta anulação da existência do indivíduo em favor da Ideia.
- Mollâ Sadrâ contesta a visão de que a Ideia seja um simples predicado lógico, reafirmando sua função de foco gerador e sujeito constituinte.
- Impasses da doutrina clássica da participação e da atribuição lógica.
- Ideia como lugar de congruência — ittifâq — e unificação existencial.
- Relação entre o constituinte — princípio — e o constituído — derivado.
- Diferentes filósofos propuseram interpretações divergentes sobre as Ideias, situandoas na ciência divina ou como universais naturais.
- Al-Farabi — formas sapienciais subsistentes na essência de Deus.
- Avicena — natureza específica in concreto ou quididade sem condição — la bi-shart shay.
- A redução da Ideia ao universal natural é rejeitada por despojá-la de sua realidade efetiva e singularidade.
- Crítica à majestade de Platão ser reduzida a conceitos abstratos.
- Definição de que o existente é o ato de ser, não o universal mental.
- Insucesso da quididade aviceniana em expressar o real da Ideia.
- Sohravardi distingue as Ideias platônicas das formas imaginais, situando as primeiras no mundo da Inteligência como luzes nobres.
- Formas imaginais — citadelas em suspenso — com função eschatológica.
- Erro em identificar a alma com a Inteligência.
- Ideias como fontes luminosas e senhores dos ícones — sâhib al-sanam.
- As Ideias funcionam como anjos e centros geradores de emanação que operam a teurgia das espécies.
- Natureza angélica das Ideias.
- Cada corpo possui um anjo que constitui sua espécie.
- Transformação do elo de participação em operação teúrgica.
- A necessidade de um motor estável para o movimento natural conduz à dedução de substâncias inteligíveis separadas.
- Natureza como princípio de mudança e renovação essencial — tajaddod.
- Exigência de um constituinte — al-muqawwim — imaterial e estável.
- Distinção entre a alma móvel e a substância separada principial.
- A física do movimento justifica o existencial inteligível como fundamento de unidade para o substrato material.
- União entre substância inteligível estável e substância material em renovação.
- Unificação da natureza operada pela substância principial.
- Essência da natureza derivada da atividade do inteligível.
- O processo de conhecimento demonstra que o conceito universal exige um fundamento em uma singularidade inteligível.
- Diferença entre o conceito mental — predicado — e a raiz singular da quididade.
- Conversão do predicado lógico em sujeito substancial.
- Necessidade de um modelo real — haqîqa — para a imitação psíquica.
- A atividade das formas naturais em cada reino aponta para causas inteligíveis que unificam os múltiplos efeitos físicos.
- Agente inteligível — fâ‘il ‘aqlî — como fundamento da forma natural.
- Correspondência entre o indivíduo perfeito no mundo da instauração — ibdâ — e os indivíduos naturais.
- Diferença de intensidade na substancialização entre o princípio e o derivado.
- A adoção do modelo de Sohravardi permite visualizar as espécies como ícones derivados de senhores luminosos.
- Passagem do indivíduo numérico — fard — para a singularidade — shakhs.
- Espécie humana como ícone do Espírito de Santidade — rûh al-qods.
- Terra sensível como reflexo da terra inteligível e receptáculo de irradiações.
- O mundo inteligível contém arquétipos de todas as realidades sensíveis, incluindo céus, astros e sentidos superiores.
- Presença de sensibilidade superior e sentidos espirituais no inteligível.
- Significado esotérico das experiências visionárias proféticas.
- Mundo imaginal como grau inferior do universo inteligível.
- A estrutura do ser organiza-se em uma tripartição entre o inteligível, o imaginal e o corpóreo, integrada à hierarquia das luzes.
- Homem inteligível como o esotérico do homem psíquico e corpóreo.
- Correspondência entre ordens longitudinais — nomes divinos — e latitudinais — senhores das espécies.
- Efusão da luz através de mediações hierarquizadas.
- O gesto filosófico de Mollâ Sadrâ confere consistência aos inteligíveis ao transformá-los em entidades pessoais vivas.
- Superação das quididades abstratas em favor de monadias de existência.
- Conciliação entre Plotino e Sohravardi para fundamentar a ontologia islâmica.
- Salvaguarda da filosofia da Identidade através de uma angelogia especulativa.
- A fundamentação do xiismo especulativo une a sabedoria grega à tradição persa antiga sob o princípio da possibilidade pré-eminente.
- Axioma do possível nobre que precede o possível inferior.
- Identificação de realidades inteligíveis com anjos da tradição zoroastriana — Khordâd, Mordâd, Ordîbehesht.
- Conciliação entre a Teologia de Aristóteles e a Sabedoria Oriental como superação do literalismo e do racionalismo.
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