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IDENTIDADE

“Se rendre immortel suivi du “Traité de la résurrection” par Mollâ Sadrâ Shîrâzî”, Fata Morgana, 2000

  • As realidades inteligíveis não devem ser compreendidas no sentido peripatético ou apenas como o reino das ideias e gêneros platônicos, mas segundo a perspectiva de Ibn Arabi.
    • Mundo arquetípico dos nomes e atributos divinos — epifania no Respirar do Misericordioso (nafas al-rahman).
    • Jabarut — expressão do segredo da unidade divina (ahadiya) ao sair da obscuridade para a unicidade entitativa (wahidiya).
    • Reflexão do Um em sua própria ciência divina pelo desejo de ser conhecido.
  • A questão sobre a natureza essencial das realidades inteligíveis esbarra no fato de Deus ser puro ato de ser, sem quididade.
    • Manifestação pela misericórdia — efusão de multiplicidade de nomes como arquétipos dos existentes.
    • Nomes divinos — não são formas substanciais separadas, pois as quididades carecem de realidade concreta.
    • Espécies e gêneros — sombras ou limites impostos pela finitude do mundo natural, sem realidade em si.
    • Existência em Deus — individuação do ato de ser que possui singularidade efetiva no princípio, mas não por si mesma.
  • O Jabarut consiste na ciência divina das individualidades concebidas como monadas primeiras ou nomes divinos.
    • Quiddidades — conceitos existentes apenas no espírito que generaliza e especifica.
    • Conhecimento formal — substituição da presença do ato de ser pela existência mental de um conceito.
    • Conhecimento iluminativo presencial — contraposição à abstração humana das quididades.
    • Origem das quididades — sombras últimas de monadas inteligíveis e focos geradores imateriais que precedem as configurações imaginais e sensíveis.
  • As Inteligências procedem de Deus para se converterem imediatamente ao princípio, permanecendo nele em um estado de manência (monê).
    • Tradição de Farabi e Avicena — substâncias imateriais em número limitado pela hierarquia dos céus (dez inteligências).
    • Inteligência agente — décimo nível voltado às almas humanas e ao mundo sublunar.
    • Perspectiva de Mollâ Sadra e Sohravardi — multiplicação geométrica das luzes arcanjélicas a partir da Luz das Luzes.
    • Esquema de Ibn Arabi — intuição do Um que envolve todo o existir e impõe proximidade estreita das Inteligências com o princípio.
  • O ser de luz das Inteligências é concebido por Mollâ Sadra como um puro ato de ser, livre de quididade ou materialidade.
    • Luz como sinônimo do existir — diferenciação apenas pela variação de intensidade e singularidade de natureza.
    • Paradoxo da natureza singular — a existência de uma natureza implicaria uma quididade, o que Mollâ Sadra contorna negando a separação efetiva das Inteligências.
    • Unidade inteligível — as Inteligências não formam essências formalmente separadas.
  • O desdobramento da multiplicidade na ciência divina ocorre sem que os nomes ou Inteligências se distinguam como essências formalmente separadas.
    • Unidade absoluta — o Um-ser se expressa no Um que é, sem distinção essencial entre princípio e efusão.
    • Equação sadriana — 1 = 1x1x…x1, onde as unidades multiplicadas são a própria potência da unidade.
    • Identidade existencial — abandono da metafísica das essências em favor da identidade integral entre o emanado e o princípio (A = A).
  • As ipseidades das Inteligências identificam-se com a subjetividade e egoidade divina.
    • Atributos de perfeição — possuem um ato de existir e um conceito (mafhum) correspondente.
    • Evitação do agnosticismo (tatil) — reconhecimento de que os conceitos distintos possuem validade e realidade no ato de ser.
    • Evitação do associacionismo (tashbih) — negação de que os atributos possuam existência independente ou diferente da essência divina.
    • Unidade existencial — busca pela coexistência entre a unidade da Essência e a diferença existencial dos nomes.
  • Os atributos são e não são simultaneamente a ipseidade divina, em uma estrutura análoga à substância espinosista.
    • Transcendência da Luz das Luzes — superação da assimilação (tashbih) e da separação (tatil).
    • Ato de existir como lugar de eclosão — surgimento dos atributos sem gerar multiplicação ou disjunção real.
    • Ausência de dialética interna — substituição do esquema de efusão por uma imagem de identidade da subjetividade divina (Eu = Eu).
  • A diferença entre essência e atributos é comparada à relação entre o ato de existir e a quididade.
    • Momento da identidade — os atributos existem apenas em Deus e por Deus.
    • Momento da diferença — distinção apenas conforme as quididades ou conceitos.
    • Subjetividade pura — Deus como origem de todas as subjetividades, onde os nomes belos existem pela existência do Primeiro Ser.
    • Primazia do ato de ser — a inexistência da quididade por si mesma conduz o sistema à predominância da identidade.
  • A coincidência entre a subjetividade divina e as Inteligências no ato de ser levanta a questão da possibilidade da efusão sem negatividade interna.
    • Solução de Mollâ Sadra — a diferença reside no centro da identidade através da revelação.
    • Univocidade do ser — distinção entre o Um puro (oculto) e o Um manifesto (revelado).
    • Binômio interior-aparente — estrutura última do ser fundamentada no Respirar do Misericordioso.
    • Participação existencial — as Inteligências participam da existência divina no oculto e expressam atributos no manifesto.
  • A posição de Mollâ Sadra situa-se como uma crítica e mediação entre as escolas do Kalam.
    • Refutação do Mutazilismo — rejeição da ideia de que atributos são apenas a essência para evitar a contingência ou a multiplicidade de eternos.
    • Refutação do Asharismo — rejeição da tese de que atributos são entidades reais (maani) distintas da essência, o que levaria ao associacionismo.
    • Superação da lógica predicativa — substituição da relação sujeito-predicado (S é P) pela lógica da manifestação.
  • A lógica da manifestação resolve as aporias da predicação gramatical ao tratar Deus como subjetividade pura (anaiya) em vez de substância.
    • Deus como o Oculto e o Aparente — presença no centro e na periferia de tudo o que existe.
    • Dívida com a imamologia xiita — a figura do Imã como local onde o conjunto dos nomes divinos se revela e o nome supremo se oculta.
    • Ontologia do espelho — percepção de Deus em cada criatura como a completude do ser.
  • A verdade de cada existente reside no seu ato de ser e não na sua quididade, manifestando a perfeição divina.
    • Movimento intrassubstancial — trânsito do ato de ser em direção à completude em Deus.
    • Perfeição em tensão — processo de intensificação presente no mineral, vegetal, animal e humano.
    • Teofanias — existentes como necessidades em ato que manifestam o Um através da transgressão de seus limites sucessivos.
  • O conceito de intensidade permite situar os diversos mundos no processo de autorrevelação divina.
    • Analogia com a natura naturans — intensificação crescente entre o aparente (finito) e o oculto (infinito).
    • Esquema teofânico — percepção do Deus revelado no espelho das criaturas e na necessidade de ser de cada ente concreto.
    • Catóptrica multiplicativa — modelo de luzes que procedem da Luz das Luzes.
  • Os atributos e nomes divinos são o próprio tornar-se aparente do que estava oculto.
    • Lugares de epifania (mazahir) — o conjunto dos mundos como espaço de visibilidade de Deus.
    • Superação das sombras — dissolução gradual dos limites quiditativos e materiais em direção à iluminação integral.
    • Exemplificação dos nomes — os seres humanos e as Inteligências como expressões da nomeação primordial de Deus.
  • A distinção entre o Deus oculto (Um puro) e o Deus revelado (nomes) é mantida pelo vínculo simbólico do movimento intrassubstancial.
    • Unidade intrínseca — Deus não é exterior aos seus nomes, nem puramente confundido com eles.
    • Atos de nomeação reveladora — processos pelos quais o ato de ser absoluto se torna inteligível, imaginal e sensível.
    • Poder expressivo — atributos como generosidade e ciência não possuem realidade fora de sua expressão nos graus de crescimento do ser.
  • A distinção de graus em Ibn Arabi é utilizada para conciliar a unidade do ato de ser com a pluralidade dos nomes.
    • Primeiro grau (ahadiya) — nomes indistinguíveis no oculto.
    • Segundo grau (ilahiya/wahidiya) — distinção dos nomes no plano da divindade revelada.
    • Problema neoplatônico — conciliação da procissão do múltiplo com o princípio de que do Um só procede o um.
  • A insuficiência do saber conceitual é suprida pela primazia da experiência intuitiva.
    • Conhecimento presencial (ilm huduri) — revelação da efetividade do múltiplo e do movimento intrassubstancial.
    • Conhecimento formal (ilm suri) — falha em representar a efusão emanadora por ser estático e fixado em essências.
    • Conhecimento oriental (ilm ishraqi) — apreensão da moção existencial que desvela a manência de todas as coisas em Deus.
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