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NOMES DIVINOS

“Se rendre immortel suivi du “Traité de la résurrection” par Mollâ Sadrâ Shîrâzî”, Fata Morgana, 2000

  • O conflito entre o conceito e a presença constitui o impasse fundamental da cognição humana na filosofia sadriana.
    • Nomes e conceitos — referem-se a distinções mentais que não saem do domínio abstrato.
    • Conhecimento oriental — revela atos de ser como intensidades contínuas de um mesmo fluxo, e não como coisas distintas.
    • Tensão metafísica — a doutrina de Mollâ Sadrâ enterra a metafísica das essências em favor da intensidade do ser, embora a separabilidade das Inteligências dependa, conceitualmente, de essências concretas.
  • A ausência dos gêneros supremos platônicos e da dialética do não-ser caracteriza a valorização da unificação sem mediação no pensamento islâmico.
    • Gêneros supremos — seriam os únicos capazes de outorgar alteridade dentro do mesmo.
    • Não-ser em Sohravardi — restrito ao nível da matéria, a substância do barzakh (luz de morte).
    • Não-ser em Mollâ Sadrâ — entendido como matéria quidditativa ou limite à efusão do existir.
    • Realidade efetiva (haqiqa) — designa exclusivamente o ato de ser (wojud) desprovido de quiddidade.
  • O comentário de Mollâ Sadrâ sobre a Luz das Luzes redefine a relação entre o princípio e as luzes inteligíveis através da subjetividade absoluta (ana'iya).
    • Nomes divinos (muqaddas, qayyum, qahhar) — interpretados como qualificadores que excluem a imperfeição e a não-necessidade.
    • Modelo de integração luminosa — comparado à luz dos astros que, embora distinta, é integrada e eclipsada pela luz solar durante o dia.
    • Realidade de luz (haqiqa nuriya) — conceito que unifica o discreto e o contínuo, reinterpretado por Sadrâ como o puro ato de existir.
  • As Inteligências não são substâncias estáveis, mas focos geradores constituídos por sua própria luminescência ou potência iluminativa.
    • Reforma da noção de substância — o ato de ser não é um simples estar-lá, mas uma irradiação de existência e conhecimento.
    • Modelo monadológico — cada inteligência atua como uma mônada de existência, porém sem a independência sugerida pela imaginação.
    • Implicação no princípio — as mônadas Inteligências veem seu ato de exister desaparecer no ato único da Luz das Luzes.
  • O primatizado ato de ser suprime a existência separada do existente para confirmá-la na luz do seu princípio.
    • Existência das existências (wojud al-wojudat) — as Inteligências existem apenas enquanto unidas ao princípio; separadas, cessam de ser.
    • Paradoxo do aniquilamento — o existente descobre seu nada ao ser disjunto da origem e alcança a sobre-existência ao se aniquilar em Deus (fana).
    • Existência separada como não-ser — a verdadeira realidade é a instauração perpétua do princípio no existente.
  • A filosofia de Mollâ Sadrâ afirma a identidade entre o ato de ser instaurador e o ato de ser instaurado.
    • Monadização pelo imperativo — a mônada de existência não possui um substrato distinto, sua subjetivação coincide com a subjetividade única de Deus.
    • Movimento intrassubstancial — não é algo que anima uma substância pré-constituída, mas é a própria substancialização da substância.
    • Perspectiva do Real — a multiplicidade, enquanto multiplicidade separada, é apenas um véu ou aparência (khayal) do ser.
  • A unidade integral reverte-se em multiplicidade integral através da estrutura especular da manifestação.
    • Coincidência dos opostos — no ato puro de exister, coexistem a extinção (fana) dos entes no Um e a multiplicação dos espelhos epifânicos.
    • Configuração especular — o existente é um espelho que, não existindo por si, é absolutamente necessário para a autorrevelação divina.
    • Não-ser abstrato — designa apenas a privação de necessidade e a limitação da quiddidade, desaparecendo na autorreflexão do Um.
  • A substanciação (qayyumiva) define Deus como o Real realizante que põe e move o ente no ser.
    • Al-Qayyum — o nome divino que expressa a existência absoluta e a doação do existir como Al-Haqq (o Real).
    • Ressurreição (hashr) — momento final idêntico à revelação da instauração da existência; a manifestação do ser em sua potência total.
    • Papel do Imã — o Homem Perfeito como agente da revelação que efetua a manifestação da potência do aparecimento.
  • A relação entre o princípio e os existentes não pertence à categoria de relação predicativa, mas à multiplicação de si por si.
    • Crítica à relação — o princípio não se liga aos possíveis por um relatório externo, mas por immanência e revelação.
    • Unicidade dos atributos — embora receba nomes como ciência e poder, Deus não se torna uma pluralidade de realidades (ma'ani) distintas.
    • Ebução de si — a instauração é um ato de manifestação de si, onde o Sujeito divivo se subjetiva no instaurado (S = s₁, s₂ … sₙ).
  • O retorno a Deus redime a finitude da manifestação e conduz da aparição ao Aparente.
    • Sobre-existência — o aniquilamento das quiddidades no existir infinito é uma transição para a realidade plena.
    • Multiplicidade conceitual — as Inteligências são numericamente distintas apenas como conceitos, mas ontologicamente idênticas à substanciação divina.
    • Inteligências como sujeitos — são subjetivações do Sujeito único porque Deus só se expressa no instaurado sob a forma de sujeito.
  • A auto-revelação do Sujeito mantém uma assimetria onde o Cachado excede sempre o Aparecido.
    • Defeito e excesso (S = S') — a soma das subjetivações jamais iguala a totalidade do Sujeito absoluto ou do Oculto.
    • Operação teofânica — a forma epifânica, o objeto da operação e o que se epifaniza constituem uma única realidade de ser.
    • Distinção entre Imagem e Realidade — a Inteligência é a imagem (mithal) da ipseidade divina; a imagem não penetra (iktinah) integralmente o Real.
    • Graus de iconostase — os mundos hierarquizam-se conforme os espelhos da Inteligência, da Alma (mundus imaginalis) e da natureza até o retorno final.
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