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PRAZER

“Se rendre immortel suivi du “Traité de la résurrection” par Mollâ Sadrâ Shîrâzî”, Fata Morgana, 2000

  • A estrutura hierárquica dos existentes e a função dos graus intermediários
    • O sistema apresenta uma gradação composta por realidades separadas inteligíveis, espíritos regentes de ordem integral e particular, almas imaginais, almas vegetativas, naturezas e corpos materiais.
    • O esquema reproduz a tríade plotiniana de Inteligência, Alma e Natureza, introduzindo modificações que atendem ao princípio da possibilidade preeminente.
    • A existência de graus intermediários, como os espíritos, é necessária para que cada existente inferior se funda na realidade imediatamente superior.
    • As almas superiores constituem o mundus imaginalis, enquanto as realidades inteligíveis são identificadas com o mundo do decreto e da ciência divina.
  • A defesa da ressurreição corporal e a estrutura ascendente dos universos
    • A ressurreição não deve ser interpretada como mera metáfora para o salvamento da alma, mas como o renascimento do corpo do homem singular.
    • Distinguem—se três nascimentos vinculados a três mundos: o das realidades naturais materiais, o das realidades psíquicas de outromundo e o das realidades separadas inteligíveis.
    • A hierarquia dos universos possui uma função escatológica que orienta a busca pela felicidade e configura a retribuição futura.
  • O estatuto inferior do mundo natural e a tortura pelo nada
    • Os corpos ocupam o nível mais baixo da realidade por serem sombras do ato de ser e marcados pelo esquecimento da própria existência.
    • O mundo da natureza é considerado ilusório devido ao seu estado de constante geração e corrupção, revelando uma carência de ser fundamental.
    • A privação ontológica no mundo sensível é descrita como uma concresção de nada, onde o desejo por tais objetos conduz a uma realidade—de—nada.
    • A punição para quem se apega ao não—ser consiste na tortura infligida pelo próprio vazio sob a forma de realidades satânicas.
  • A natureza metafórica das satisfações corpóreas e a construção do corpo de trevas
    • Os prazeres sensíveis são definidos como metafóricos, pois o corpo denso está para o corpo imaginal como a metáfora está para o sentido verdadeiro.
    • O prazer material não possui realidade efetiva e o desejo que nele se fixa erra o alvo por falta de um objeto real.
    • O amante do sensível constrói para si um corpo de trevas e configura as imagens de feiura satânica que enfrentará em seu inferno imaginal.
    • O não—crente recebe o nada como recompensa física no além, vivendo uma existência tecida pela própria morte e persistência no não—ser.
  • O chiasma da percepção sensível e a via da ascética sadriana
    • O mundo natural priva o homem do verdadeiro gozo sensível, o qual reside exclusivamente no mundo imaginal.
    • A imaginação ativa não percebe o imaginário abstrato, mas o real corpóreo efetivo, revelando que o platonismo sustenta a verdadeira sensibilidade.
    • A alma deve escolher entre os prazeres corpóreos efêmeros e os prazeres reais que culminam na obtenção das realidades inteligíveis.
  • Responsabilidade pelo salvamento e conversão aos inteligíveis
    • A salvação depende amplamente da fibra da vontade humana em conformidade com o decreto divino.
    • A conversão ao Real exige a intenção pura e a renúncia a tudo o que distrai da dividade, constituindo a graça suprema.
    • A perfeição teórica e prática pertence àqueles que orientam sua alma para o conhecimento das realidades separadas e finalidades de outromundo.
    • O termo da contemplação é identificado com o próprio ato puro de existir, atingindo o originador primeiro.
  • O ordenamento das faculdades e a primazia da imaginação criadora
    • No domínio do intelecto prático, a alma atinge o estado de justiça ao temperar as faculdades concupiscível, irascível e perceptiva.
    • As virtudes práticas servem de preparação para a contemplação das realidades de outromundo.
    • A imaginação ilusória deve ceder lugar à imaginação criadora, que permite o acesso efetivo ao mundo imaginal.
    • A estrutura metafísica dos mundos justifica—se pelo trabalho de si sobre si, sendo a ascese o caminho para o gozo verdadeiro.
  • Correspondência entre os mundos e os modos de percepção
    • Ao mundo da manifestação e das realidades sensíveis corresponde o modo de percepção através dos sentidos.
    • Ao mundo do supra—sensível e do Malakut corresponde a percepção pela imaginação criadora.
    • Ao mundo da senhoria divina e das Inteligências, o Jabarut, corresponde a percepção pelo intelecto.
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