ALEXANDRE E AS PEDRAS PRECIOSAS
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Quando Iskandar, em busca da água da imortalidade, tomou a decisão de atravessar as trevas, chegou a uma terra extensa e espaçosa, onde lançou corajosamente a infantaria e a cavalaria; em todos os lugares por onde passava, seja à esquerda ou à direita, o solo estava coberto de pedrinhas minúsculas. Então, voltando-se para seu exército, ele falou: «Ó todos vós, perdidos nesta escuridão! Deixai de lado os costumes e as práticas da guerra e pegai vossa parte dessas pequenas pedrinhas, pois, sem dúvida, todas são pedras preciosas; enchei vossos bolsos e as abas de vossas vestes. Quem quer que as tenha pegado terá semeado a semente do arrependimento; dirá: ‘Por que, tão negligente, colhi tão poucas dessas pedrinhas?’ Aquele que as tiver deixado acenderá a fornalha na qual arderá para sempre.” Quem duvidava de Iskandar não acreditou no que ele havia dito e exclamou: “Ora! Que são essas palavras vãs? É tão vazio quanto se ele quisesse pesar o vento. Quem já viu rubis sob os cascos dos cavalos? Quem já ouviu falar de pérolas e pedras preciosas na estrada?” O homem refém e cativo da negação passou por aquele lugar e partiu de mãos vazias. Mas aquele que era o espelho de Iskandar, espelho que refletia o segredo de sua alma, acreditou no que ouviu e começou a recolher as pedrinhas que era capaz de carregar. Com essas pedrinhas preciosas, ele encheu rapidamente a manga, a bolsa e a barra de seu manto. Quando se percorreu a estrada das trevas, o sol voltou a brilhar bem perto. Então distinguiram-se as diversas cores, a pedra da joia, a joia da pedra; o que ao toque parecia apenas pedrinhas, revelou-se rubi e coral quando se pôde ver. Então, ouviram-se suspiros, lamentações; lágrimas de arrependimento inundaram os cílios. Um mordia os dedos, dizendo: “Por que não recolhi mais dessas pedras?” Derramando lágrimas de sangue, o outro gritava: “Para mim, meu capricho e o diabo bloquearam o caminho; na minha mente, acumulei poeira; e não dei ouvidos às palavras verdadeiras; se ao menos, pelo menos para examiná-las, eu tivesse guardado um pouco dessas pedrinhas! Elas formariam a base sólida da minha vida; e meu tempo não teria sido desperdiçado.» (Djâmi, Hekmat, p. 255.)
