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ISMAELISMO
NĀṢER-E KHOSROW; GASTINES, Isabelle de. Le livre réunissant les deux sagesses. Paris: Fayard, 1990.
História e cisões do ismaelismo
- Origem e contexto político inicial do ismaelismo
- O ismaelismo estabeleceu sua existência oficial na segunda metade do século VIII, após a morte do imã Isma’il, que deu nome ao grupo.
- Os primeiros cinco séculos da seita ocorreram sob o domínio dos califas abbassidas em Bagdá, como Mansūr e Harûn al-Rachïd, em um período de intensa produção científica e traduções do grego.
- O ismaelismo constitui uma ramificação do xiismo, doutrina dos partidários da família do Profeta Ali e seus descendentes, diferenciando-se do sunnismo ortodoxo.
- A separação definitiva entre o imamismo duodecimano e o ismaelismo septimano ocorreu em 765, após a morte do imã Ja’far al-Sâdiq.
- Os discípulos que formaram a nova comunidade reportaram sua lealdade a Ismâ’ïl e, posteriormente, a seu filho Mohammad, reconhecido como o sétimo imã ismaelita.
- Doutrina, ocultação e o período fatímida
- Os ismaelitas são denominados septimanos devido ao ritmo da heptada que discernem no ser, e esoteristas por fundamentarem sua doutrina no batin (sentido oculto) e no ta’wil (hermenêutica de símbolos).
- Após o imã Mohammad, seguiu-se um período de ocultação (satr) no século IX, durante o qual foram elaborados textos fundamentais como o Omm al-Kitâb e a enciclopédia Ikhwān al-safâ.
- O século X marcou a fase brilhante dos califas fatímidas, iniciada por Ubayd Allah e consolidada no Cairo pelo imã al-Mu’izz.
- Durante dois séculos, uma irmandade esotérica deteve o poder político oficial, estendendo sua influência do Atlântico ao extremo oriente do mundo islâmico.
- Obras de pensadores iranianos como Abū Ya’qûb Sejestânï e Hamïdoddīn Kermānī foram elaboradas sob o esplendor da corte fatímida.
- O cisma de 1094 e as tradições nizarita e mostalita
- A morte do califa al-Mostansir bi’l-lâh em 1094 causou a divisão da comunidade entre os seguidores de seu filho mais novo, Mosta’lî, e os de seu filho mais velho, Nizâr.
- Os Mosta’liyân, ou ismaelitas ocidentais, perpetuaram a antiga convocação fatímida, estabelecendo-se no Iêmen e, posteriormente, na Índia como os Bohra.
- Os Nizaritas, ou ismaelitas orientais da Pérsia, representam o ismaelismo reformado de Alamut, liderado inicialmente por Hasan Sabbâh.
- Em 1164, o imã Hasan II proclamou em Alamut a Grande Ressurreição, declarando um islã puramente espiritual e gnóstico, liberto da servidão à Lei (shari'at) em favor da Realidade (haqîqat).
- Após a queda de Alamut diante dos mongóis em 1256, a linhagem nizarita sobreviveu na obscuridade, fundindo-se muitas vezes com tradições sufis.
- Os atuais nizaritas, conhecidos na Índia como Khodja, reconhecem Karim Aghā Khān IV como seu quadragésimo nono imã.
Vida e obra de Nãsir-e Khosraw
- Juventude, conversão e missão ismaelita
- Abû Mo’ïn Nãsir ibn Khosraw nasceu em 1004 em Qobadiyan, próximo a Balkh, no seio de uma família de funcionários públicos.
- Interessado em filosofia e ciência, frequentou as cortes ghaznavidas e seldjúcidas antes de passar por uma transformação espiritual aos quarenta anos.
- Desperto por um sonho simbólico que indicava a direção da qibla espiritual (o Imã eterno), abandonou suas funções e partiu para o Cairo em busca do imã do tempo.
- Permaneceu seis anos no Egito recebendo formação, sendo investido com o grau de Hojjat (Garante) antes de retornar ao seu país em 1052.
- Seu retorno a Balkh foi marcado pela hostilidade de sunitas fanáticos que atacaram sua residência, forçando-o a fugir para salvar a vida.
- O exílio em Yomgan e a produção literária
- O autor encontrou refúgio definitivo em Yomgan, no Badakhshan, uma região remota fora do controle seldjúcida governada pelo emir ismaelita Ali ibn Asad.
- Nãsir-e Khosraw faleceu no exílio por volta de 1074, deixando um túmulo que ainda hoje é venerado pelos habitantes locais, que o consideram erroneamente um guia sufi sunita.
- Sua obra principal em prosa, o Livro reunindo as duas Sagesses, surgiu como resposta a questões filosóficas enviadas pelo emir Ali ibn Asad.
- O texto busca harmonizar a filosofia grega, vista como sabedoria profética, com a teosofia ismaelita baseada na inspiração divina.
- O autor utiliza o ta’wil para reconduzir o sentido aparente (zahir) ao oculto (batin), dialogando entre os sábios teósofos e os filósofos helenizantes contra os conformistas da letra.
- A obra aborda temas como o Tawhid (Unidade Divina), a Inteligência, a Alma, a Natureza e o Tempo, sendo escrita em um persa técnico e preciso.
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