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islamismo:khosraw:uno

UNO

NĀṢER-E KHOSROW; GASTINES, Isabelle de. Le livre réunissant les deux sagesses. Paris: Fayard, 1990.

Dísticos 16-18:

O que é esse Um que contém o múltiplo?

O Um absoluto, por que se chama assim o Criador Todo-Poderoso?

Um a quem não se aplica nem multiplicação nem divisão, que não aumenta nem diminui em número;

Um por necessidade ou aproximação, e não por certeza. Como tais afirmações devem ser entendidas?

A questão sobre o Um absoluto e o Um múltiplo é respondida filosoficamente afirmando que Deus é a Causa primeira, Uno e único Artífice do mundo, sendo que a unidade é a causa do número e a eclosão do mundo numericamente múltiplo se efetua pelo Um.

  • Os filósofos declaram que se o mundo múltiplo não fosse, Deus seria; porém, se Deus não fosse, o mundo não seria, assim como se o um não fosse, o múltiplo não seria.
  • A eclosão e o ser do número se efetuam pelo um, sendo a unidade a causa do número, e o que é contado o é pelo número.
  • O mundo é uma substância divisível, e a divisão chama a multiplicação, portanto a eclosão do mundo múltiplo se efetua pelo Um, que é a Causa e o Artífice do mundo.
  • Nenhum filósofo nega a Unidade de Deus, e todos avançam como prova da Unicidade divina a multiplicidade dos componentes do Universo.
  • Se o demiurgo, em sua essência, fosse mais de um, seria necessário que antes dele houvesse outro demiurgo uno em sua essência que presidisse à obra desses artífices múltiplos.
  • O um, por essência, não se presta nem à divisão nem à multiplicação, sendo indivisível.

A resposta dos assistidos pela Inspiração divina (Ahl-e Ta'yid) define o um múltiplo, do qual procede a composição dos números e que é multiplicável, como o uno composto da unicidade e da substância que recebe a unicidade.

  • O um múltiplo, que é o começo do número, existe pelo Um, da mesma maneira que o negro existe pela negrura ou o doce pela doçura.
  • O Um absoluto precede de todas as maneiras o um múltiplo, unindo-se à sua substância para se tornar o fermento dos números e numerados.
  • A unicidade (wahdat), embora seja causa do uno (wahid), não existe por sua essência própria, e reciprocamente o uno não existe sem a unicidade, necessitando uma da outra em seu ser próprio.
  • O intelecto é obrigado a deduzir a existência daquele que cria essa necessidade recíproca para que, pelo ser e criação mútua dos dois, a multiplicidade venha à existência.
  • O criador da unicidade e revelador da unidade é chamado de princípio originário (Mobdi'), que torna a unicidade causa do ser da unidade pela Instauração eterna (Ibda'), não a partir de uma coisa.
  • A unicidade está no coração da unidade, e ambas se tornam como uma só essência, da mesma maneira que a forma e a matéria se unem.
  • O Primeiro Existente é a essência a quem está unida a Unicidade, sendo ela a Inteligência universal (Inteligência agente), que é o começo dos seres e é chamada de uno porque é o agente do verbo ser-uno.
  • O que é uno é constituído pela unicidade, não sendo o Um absoluto que vem à existência, mas o um múltiplo em sua essência e substância, o qual é o princípio da multiplicidade e o primeiro múltiplo.
  • Desse um múltiplo surge a Alma pela potência da Unicidade, pois a alma é o lugar da dualidade, surgindo da unicidade da Inteligência primeira e recebendo os atos da Inteligência.
  • O Instaurador da Unicidade é superior à Unicidade, sendo a coisa mais próxima dele, por ordem de processão, a Unicidade, assim como a coisa mais próxima da unidade é o uno, e a coisa mais próxima de um é dois.
  • A essência da Inteligência não tem acesso a nenhum atributo acima da Unicidade, sendo o Originador (Mobdi') Um, conforme a sourate: Dis: “Lui, Deus é Um!” (CXIII/1)
  • Os homens dotados de inteligência nomearam o Um absoluto de “o Instaurador Verdadeiro”, e perceberam que o um múltiplo se cindía em unicidade e unidade, podendo ser eternamente originado a partir do nada.

A prova da dualidade da Inteligência primeira é que ela é de duas espécies: inteligência instintiva (originária no homem) e inteligência adquirida (obtida pelo estudo), sendo a dualidade do ser da Inteligência constante.

  • A Alma universal está em segundo lugar em relação à unidade da Inteligência universal e em terceiro lugar em relação à sua dualidade, donde provêm as três espécies de almas na criação: vegetal, sensorial e parlante.
  • Depois da Alma, a Matéria vem à existência por ordem do Criador, por intermédio da Alma e da Inteligência, ocupando o quarto lugar, razão pela qual a matéria é de quatro espécies: artesanal, natural, total e primeira (indeterminada).
  • Depois da Matéria, a Natureza vem à existência no quinto lugar, donde provêm as cinco naturezas: quatro simples (terra, água, ar, fogo) e a quinta, a esfera.
  • Depois da união das naturezas à matéria, o Corpo vem à existência no sexto lugar, razão pela qual ele tem seis lados: alto, baixo, direito, esquerdo, dianteiro, traseiro.
  • No sétimo lugar aparece a forma dos Céus, donde provém que os céus sejam em número de sete e que as planetas que eles contêm também sejam em número de sete.
  • No oitavo lugar, os Elementos se organizam no interior da esfera, possuindo cada elemento duas naturezas: fogo (quente e seco), ar (quente e doce), água (fria e úmida), terra (fria e seca).
  • Das “Mães” (Elementos) e dos “Pais” (Luminares celestes) procedem os três reinos (mineral, vegetal, animal) no nono lugar, estando cada qual dividido em três espécies.
  • O minéral é de três espécies: uma com natureza da terra (funde e queima), outra com natureza do ar (não funde e não queima), outra com natureza da água (entra em ebulição e não queima).
  • O animal é de três espécies: a que dá à luz e amamenta (homens, quadrúpedes), a que põe ovos e não amamenta (voláteis, peixes), a que eclode de lugares úmidos (mosquitos, moscas).
  • O vegetal é de três espécies: a que é plantada e dura várias vidas humanas (nogueira, palmeira), a que é semeada e se torna caduca anualmente (trigo, cevada), a que cresce durante anos a partir da semente (plantas sem raiz).
  • Todos os entes se escalonam sobre nove níveis, razão pela qual há necessariamente nove acidentes no corpo.
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