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SHAMSI TABRIZ

DST

Jellal-ed-din Rumi

Nascimento e contexto familiar de Rumi são apresentados desde sua origem em Bactra até o início do exílio familiar.

  • Rumi nasceu em 30 de setembro de 1207 em Bactra, no atual Afeganistão, filho de Baha’uddin Walad.
  • Baha’uddin Walad era professor conhecido de teosofia e estudava os ensinamentos de Ibn ‘Arabi.
  • Em 1210, o pai de Rumi foi forçado a deixar Bactra com a família por não se abster de debates políticos.

Encontro entre Ibn ‘Arabi e o futuro mestre de Rumi é registrado na passagem do sufista por Konya.

  • O grande mestre sufista andaluz Ibn ‘Arabi chegou a Konya em 1210 a caminho de Meca.
  • Ibn ‘Arabi permaneceu em Konya por um ano e ensinou Shard al-din, que se tornou seu discípulo mais próximo.
  • Shard al-din serviu de elo entre as obras de Ibn ‘Arabi e Jellal-ed-din Rumi.

Viagens da família Walad e encontro com Attar marcam a juventude de Rumi antes do assentamento em Konya.

  • Por dezesseis anos, Baha’uddin Walad e sua família viajaram por Meca, Damasco, Arzanjan na Armênia e Laranda.
  • Em Laranda, Rumi se casou.
  • Ao passar por Nishapur, a família encontrou o poeta e místico sufista Faridu-ddin Attar.
  • Attar deu ao jovem Rumi um exemplar de seu “Livro dos Mistérios” e suas bênçãos.
  • A família finalmente se estabeleceu em Konya, onde o pai de Rumi se tornou professor sob patrocínio real da Anatólia.

Morte do pai e sucessão de Rumi na cátedra de teosofia ocorrem após o estabelecimento definitivo em Konya.

  • Baha’uddin Walad morreu em 1228.
  • Rumi, então grande estudante de teosofia, tornou-se professor e atraiu centenas de alunos para suas aulas.
  • O ambiente de Rumi foi sempre de aprendizado antes e depois de herdar a biblioteca e a posição do pai.

Chegada de Burhan al-Din Muhaqqiq a Konya inicia o período de nove anos de iniciação sufista de Rumi.

  • Em 1230, Burhan al-Din Muhaqqiq, amigo íntimo e discípulo do pai de Rumi, chegou a Konya.
  • Burhan era um verdadeiro dervixe que vivia em solidão nas montanhas em êxtase místico.
  • Ao saber que seu amigo e professor estava morto há um ano, Burhan decidiu ficar e dedicar sua vida ao treinamento espiritual de Rumi.
  • Durante nove anos, Rumi foi iniciado na doutrina sufista, viajando a Alepo e Damasco com seu professor.
  • Com a morte de Burhan em Kayseri, Rumi recolheu seus livros e papéis e retornou a Konya para ensinar os jovens.

Shamsi Tabriz

Chegada de Shamsi Tabriz a Konya provoca encontro decisivo com Rumi e ruptura com o conhecimento teórico.

  • Em 1244, Shamsi Tabriz chegou a Konya vestindo uma velha capa preta de lã remendada e sem posses.
  • Shamsi era chamado às vezes de Parinda (o alado) por ter vagado por muitas terras em busca de mestres espirituais.
  • Ao encontrar Rumi, Shamsi pegou seus livros e os jogou em um tanque de água, dizendo: “Agora você deve viver o que sabe.”
  • Quando Rumi, perturbado, tentou salvar seus livros, Shamsi declarou que o conhecimento teórico neles era sem sentido, mas que poderiam ser retirados do tanque e estariam secos.
  • Rumi recusou, e os dois homens se abraçaram.

Fusão entre Rumi e Shamsi como um só ser provoca ciúmes entre os alunos de Rumi.

  • Com ciúmes, os alunos de Rumi, que o chamavam de Mevlana (Nosso Mestre), viram os dois se fundirem como um só ser na paternidade de Deus.
  • Rumi era o professor, o profeta, e Shamsi era o catalisador enigmático que sabe e sabe que sabe.

Metáfora planetária para a relação entre Rumi e Shamsi exemplifica o êxtase da consciência divina.

  • Os dois homens estavam enamorados de Deus e se tornaram seu próprio planeta.
  • Rumi era a terra, com a função de elevar a consciência do homem, girando em torno de Shamsi, o Sol, até finalmente se fundir com ele.
  • Esse é o êxtase mencionado pelos sufistas — perder a si mesmo na consciência de Deus.

Morte de Al Hallaj é citada por Rumi para ilustrar o preço por conhecer a Verdade.

  • Rumi contou certa vez sobre a morte de Al Hallaj, o grande santo sufista.
  • Al Hallaj havia afirmado que ele era a Verdade, e o povo desmembrou seu corpo.
  • Rumi disse então que, se contasse o que sabia, seu corpo seria cortado em pedaços pequenos.
  • Quando se descobre que alguém conhece a Verdade, o pagamento é caro.

Consequências do conhecimento para Shamsi e para Rumi são contrastadas na narrativa.

  • Para Shamsi, o pagamento pelo Conhecimento foi sua cabeça.
  • Para Rumi, o místico, foi o saber de que ninguém estava preparado para receber seu segredo, e ele morreria com ele ainda em seu coração.

Ignorância dos alunos diante do fenômeno da união entre Rumi e Shamsi é apontada como causa do ciúme.

  • Apanhados pelo ciúme de perder o interesse do amado professor, os alunos de Rumi não conseguiram levantar o véu da ignorância.
  • Não se perguntaram o que aqueles dois homens intoxicados por Deus fizeram por cento e um dias consecutivos para terem eflúvio cósmico, emanar tamanha paz das profundezas de seus seres e deixar seus apegos mundanos.
  • Também não questionaram como o homem pode alcançar esse estado necessário para seu crescimento interior e tão distante de seu alcance terreno.

Expulsão de Shamsi de Konya e retorno após dois anos em Damasco mostram a dor da separação.

  • Shamsi foi expulso de Konya pelos alunos de Rumi e fugiu para Damasco, onde ficou por dois anos.
  • Rumi, em solidão desesperada por seu amado amigo que espelhava seu próprio Ser verdadeiro, enviou seu filho Sultan Walad.
  • Sultan Walad encontrou Shamsi e o cobriu de homenagens antes de trazê-lo de volta a Konya, indo a pé segurando o estribo do cavalo que Shamsi montava.

Assassinato de Shamsi Tabriz em maio de 1247 e desaparecimento de seu corpo encerram a convivência terrena.

  • Novamente os dois amigos da alma se abraçaram por muito tempo, e novamente certos murid não conseguiram conter seu ciúme, tramando matar Shamsi.
  • Em uma terça-feira de maio de 1247, Shamsi Tabriz deixou o lado de seu amado irmão espiritual e entrou no jardim.
  • Seus assassinos o cercaram e o esfaquearam.
  • Das profundezas de sua alma veio o grito: “Não há outro deus senão Deus”.
  • Foram essas palavras, proferidas com o último suspiro de Shamsi Tabriz, que estilhaçaram a consciência de seus assassinos.
  • Quando despertaram, encontraram apenas algumas gotas de sangue, mas o corpo de Shamsi havia desaparecido, e nenhum vestígio dele jamais foi encontrado.

Início da dança dos dervixes rodopiantes por Rumi ocorre no quadragésimo dia após o assassinato.

  • No quadragésimo dia após o assassinato, Rumi ordenou vestes de luto, uma camisa branca aberta no peito e um fez de lã cor de mel.
  • Nos pés, usava sandálias ásperas.
  • Perdido em pensamentos sobre o amado, ele rodopiava ao redor de um dos pilares arquitetônicos de seu jardim.
  • Ali começou a dança do dervixe rodopiante, girando até alcançar o lugar de dissociação do corpo e dos pensamentos, e seu coração se abria em êxtase.
  • Silenciosamente, ele repetia o nome de Deus.

Morte de Mevlana Jellal-ed-din Rumi é registrada em 17 de dezembro de 1273.

  • Mevlana Jellal-ed-din Rumi passou para a eternidade em 17 de dezembro de 1273, em uma noite de domingo, quando o pôr do sol pintava o horizonte de Konya de vermelho.

Parábola do muro antigo

Hazrat Inayat Khan relata a parábola sufista de um muro misterioso que ficava à beira de uma aldeia.

  • Sempre que alguém subia o muro para olhar o outro lado, em vez de voltar, sorria e pulava para o outro lado, nunca mais retornando.
  • Os habitantes da aldeia ficaram curiosos sobre o que poderia atrair esses seres para o outro lado do muro, já que a aldeia tinha todas as necessidades para uma vida confortável.
  • Eles fizeram um acordo para amarrar os pés de uma pessoa, de modo que, quando ela olhasse e desejasse pular, pudessem puxá-la de volta.
  • Na vez seguinte que alguém tentou subir o muro para ver o que havia do outro lado, acorrentaram seus pés para que ele não pudesse passar.
  • Ele olhou para o outro lado, ficou encantado com o que viu e sorriu.
  • Os que estavam embaixo, curiosos para interrogá-lo, puxaram-no de volta.
  • Para grande decepção deles, ele havia perdido a capacidade de falar.

Ya Hazrat Mevlana

Louvor final é dirigido a Mevlana como guardião do segredo divino.

  • Ya Hazrat Mevlana — Louvado seja Nosso Mestre. Deus guarde seu segredo.
  • Shams (Ira Friedlander)
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