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RUMI

SMDI

  • Projeção e recepção de Jalaluddin Rumi no Ocidente através da ordem Mevlevi e das primeiras traduções orientalistas.
    • O interesse europeu foi despertado pela ordem dos dervixes rodopiantes no Império Otomano.
    • Joseph von Hammer-Purgstall dedicou extensas páginas a Rumi em sua obra clássica sobre a literatura persa em 1818.
    • Friedrich Ruckert adaptou o estilo de Rumi para a poesia alemã em 1819, influenciando a percepção do poeta na história literária da Alemanha.
    • Georg Wilhelm Friedrich Hegel louvou Rumi em sua Enciclopédia das Ciências Filosóficas após o contato com as traduções de Friedrich Ruckert.
    • Constantin Brunner fundamentou ideias filosóficas sobre o gênio em traduções de Rumi.
    • William Hastie traduziu os gazéis de Friedrich Ruckert para o inglês em 1903 como contraponto ao culto a Omar Khayyam.
    • Reynold A. Nicholson realizou a edição monumental do Masnavi entre 1925 e 1940, acompanhada de tradução e comentário.
    • A. J. Arberry e Reynold A. Nicholson contribuíram com traduções de poemas e histórias para a língua inglesa.
  • Necessidade de estudos abrangentes fundamentados em fontes originais persas e tradições regionais para a compreensão plena da obra.
    • A ausência de um estudo verdadeiramente compreensivo em línguas ocidentais exige o exame de originais persas e obras turcas.
    • O vasto material composto no subcontinente indiano e paquistanês é essencial para a análise integral.
  • Afinidade espiritual e sucessão poética entre Jalaluddin Rumi e os mestres Fariduddin Attar e Sanai.
    • A narrativa lendária do encontro em 1219 entre o jovem Jalaluddin e Fariduddin Attar sublinha a ligação entre os mestres.
    • Jalaluddin reconheceu formalmente seu débito intelectual e espiritual para com Fariduddin Attar e Sanai.
    • A elegia composta por Rumi sobre a morte de Sanai demonstra a profundidade da conexão entre os místicos.
  • Formação teológica e migrações da família de Bahauddin Walad até o estabelecimento na Anatólia sob os seljúcidas.
    • Bahauddin Walad era um teólogo notável cujas ideias místicas influenciaram o pensamento do filho.
    • A família atingiu a região de Rum após longos deslocamentos, estabelecendo-se em um período de relativa paz.
    • Najmuddin Daya Razi, discípulo de Kubra, completou obras fundamentais na província e encontrou-se com Jalaluddin e Sadruddin Qonawi.
  • Arquitetura e simbolismo cosmológico na cidade de Konya durante o período de permanência da família.
    • Sultan Alāuddin Kaykobad promoveu a construção de mesquitas e madraçais em Konya.
    • A Madraça Karatay apresenta mosaicos em azul turquesa que ilustram a complexidade poética e espiritual de Rumi.
    • O domo da madraça reflete estrelas em um reservatório central, simbolizando a conexão entre o microcosmo e o céu.
  • Efervescência intelectual e pluralidade linguística em Konya como refúgio diante da invasão mongol.
    • Konya serviu de abrigo para acadêmicos e artistas de todo o mundo islâmico oriental.
    • O persa era a língua literária predominante, embora houvesse uso do grego e do turco pela população local.
  • Sucessão acadêmica e aprofundamento místico através da instrução de Burhanuddin Muhaqqiq e o contexto da teosofia de Ibn Arabi.
    • Burhanuddin Muhaqqiq introduziu Jalaluddin nos segredos profundos do pensamento místico após a morte de Bahauddin Walad.
    • Sadruddin Qonawi, comentador de Ibn Arabi, manteve amizade com Rumi em Konya.
    • Jalaluddin manteve distância das especulações teosóficas formais, apesar de suas relações com círculos intelectuais.
  • Impacto transformador do encontro com Shamsuddin Tabrizi e a natureza do amor místico absoluto.
    • Shamsuddin Tabrizi é descrito como uma figura avassaladora que reivindicava o estado de amado, não apenas de amante.
    • O encontro em 1244 acendeu um fogo de amor místico que levou Jalaluddin a negligenciar obrigações mundanas.
    • Ahmad Ghazzali, Aynul-Qudat e Ruzbihan Baqli são citados como autores que descreveram naturezas similares de amor absoluto.
    • Sultan Walad interveio para trazer Shamsuddin de volta da Síria após a primeira separação.
  • Intensidade do relacionamento, conspiração dos discípulos e o desaparecimento trágico de Shamsuddin.
    • O reencontro entre Rumi e Shamsuddin dissolveu as distinções entre amante e amado.
    • Alāuddin, filho de Rumi, participou da conspiração que resultou no assassinato de Shamsuddin.
    • Mehmet Onder descobriu o local provável do túmulo de Shamsuddin sob um memorial em Konya.
  • Surgimento da vocação poética a partir da experiência de identificação total com o amado.
    • Rumi descobriu a presença de Shamsuddin em si mesmo, transformando a ausência em união interna.
    • A poesia lírica foi escrita sob um sentimento de identidade completa, utilizando o nome de Shamsuddin como pseudônimo.
    • Sultan Walad descreveu a radiação interna da figura de Shamsuddin na alma de seu pai.
    • — Como o sol movendo nuvens atrás de si corre, todos os corações te atendem, ó sol de Tabriz!
  • Superação da dualidade e o processo de purificação através do fogo da ausência.
    • A parábola do homem que bate à porta do amigo ilustra a necessidade de eliminar o eu egóico.
    • — Bateu à porta com cem temores e reverência, para que nenhuma palavra desrespeitosa escapasse de seus lábios.
    • — Agora, disse o amigo, já que tu és eu, entra, não há lugar para dois eus nesta casa.
  • Interação social de Jalaluddin e a inspiração para a composição do Masnavi por intermédio de Husamuddin Celebi.
    • Rumi mantinha relações amigáveis com autoridades como o ministro Muinuddin Parwane.
    • Husamuddin Celebi solicitou a criação de uma obra didática que substituísse as epopeias de Sanai e Fariduddin Attar.
    • Jami referiu-se ao Masnavi como o Alcorão em língua persa.
    • Salahuddin Zarkub e Husamuddin Celebi foram vistos como reflexos da mesma beleza divina manifestada em Shamsuddin.
  • Institucionalização da ordem Mevlevi e o legado literário de Sultan Walad como comentário autêntico.
    • Sultan Walad organizou o ritual de dança e a hierarquia da ordem após a morte de Husamuddin Celebi.
    • As obras Maārif, Ibtidaname, Intihanama e Rababname de Sultan Walad são fontes primordiais sobre a vida de Rumi.
  • Reconhecimento da primazia espiritual de Rumi entre os contemporâneos e sucessores.
    • Sadruddin Qonawi, Fakhruddin Iraqi e outros mestres congregaram-se após a morte de Jalaluddin.
    • Bayezid e Junayd teriam reconhecido a dívida para com Rumi se fossem seus contemporâneos.
    • — Se Bayezid e Junayd tivessem vivido neste tempo, teriam segurado seu manto e teriam se sentido endividados com ele.
  • Magnitude da produção literária e as características narrativas e simbólicas da obra.
    • A produção excede 30.000 versos líricos e 26.000 versos no Masnavi, além de prosas como Fihi ma fihi.
    • O Masnavi é descrito como a loja da unidade, contendo diversas teorias místicas do século treze.
    • Interpretes encontram na obra desde panteísmo até ortodoxia vinculada à lei.
    • — Mesmo se as florestas fossem penas e o oceano tinta.
  • Natureza inspirada da composição poética e a relação entre ritmos e movimentos rituais.
    • Jalaluddin ditava versos em estados de êxtase, influenciado por sons cotidianos como o martelar de ourives.
    • Os padrões rítmicos sugerem o movimento circular da dança e assemelham-se a canções folclóricas turcas.
    • A leitura da poesia deve privilegiar a acentuação das palavras em detrimento da métrica quantitativa pura.
  • Simbolismo da música e da dança como expressões da alma e segredos da união divina.
    • O Canto da Flauta de Bambu inicia o Masnavi como uma metáfora da alma separada de sua origem.
    • Rumi utilizou lendas antigas, como a de Midas, para revesti-las de novo espírito místico.
    • — Você pode ter lido em Kalila, mas aquilo era a casca da história — este é o cerne da alma.
    • A história de Ali revela segredos divinos confiados pelo Profeta a um lago solitário.
  • Dimensão universal da dança e a metáfora do sopro divino através do instrumento.
    • A queixa da flauta reflete a condição do místico separado do amado.
    • Instrumentos como o rababe ou a harpa expressam dor apenas quando tocados pelos dedos do amado.
    • A dança é concebida como um movimento vivificador compartilhado por estrelas e anjos.
  • Diálogo entre o pensamento de Rumi, tradições neoplatônicas e a presença histórica da cultura grega.
    • Elementos do neoplatonismo chegaram a Rumi via Sadruddin Qonawi e tradições helenísticas locais.
    • Tradições populares em Konya associam Platão a figuras de poder taumatúrgico.
    • A Fonte de Platão, perto do lago Beyshehir, exemplifica a assimilação de figuras gregas no folclore local.
  • Influências cristãs e bíblicas integradas à exegese corânica e tradição profética.
    • A proximidade com centros cristãos da Capadócia refletiu-se na frequência de alusões a Jesus e Maria.
    • Rumi citou passagens bíblicas raramente mencionadas em outras obras poéticas islâmicas.
    • A estrutura fundamental da obra permanece enraizada no Alcorão e no costume do Profeta.
  • Riqueza do vocabulário e o uso de imagens cotidianas para ilustrar estados espirituais elevados.
    • O poeta utiliza situações simples, como doenças de vizinhos ou ruídos domésticos, como alegorias do amor.
    • A imagem de ciganos equilibristas ensina a alma a dançar nas tranças do amado.
    • O equilíbrio entre a experiência sensorial e o amor divino preserva o vigor da poesia através dos séculos.
  • Humor e o uso de expressões cruas como ferramentas de instrução e despertar místico.
    • Paródias e piadas obscenas são empregadas para transmitir ensinamentos sérios.
    • — Minhas piadas sujas não são piadas sujas, mas instrução.
  • Imagens dramáticas de sede e insônia como representações da busca incessante pelo amado.
    • A sede do amante é comparada à areia que absorve água instantaneamente.
    • O sono é retratado como uma entidade que foge ao encontrar o coração do poeta ou ao provar suas lágrimas venenosas.
  • Transmutação de memórias trágicas em metáforas de sacrifício e solo sagrado.
    • O sangue de Shamsuddin inspira poemas sombrios sobre montanhas de crânios e oceanos de sangue.
    • — Façam uma montanha de crânios, façam um oceano de nosso sangue.
    • — Este solo não é poeira, é um vaso cheio de sangue, do sangue dos amantes.
  • Ternura e intimidade na poesia de metros suaves.
    • Versos delicados descrevem a exclusividade da presença entre o eu e o amado.
    • — Abra o véu e feche nossa porta — Você é e eu, e vazia a casa.
    • — Sem sua fala a alma não tem ouvido, sem seu ouvido a alma não tem língua.
  • Simbolismo de Hallaj e a doutrina da morte espiritual para o renascimento.
    • Alusões ao martírio de Hallaj permeiam a obra como exemplos do estágio de união.
    • A tradição profética de morrer antes de morrer é o motivo central do pensamento de Rumi.
    • — Matem-me, ó meus amigos confiáveis, pois em meu ser morto está minha vida.
    • A parábola do grão-de-bico ilustra a necessidade do sofrimento no fogo divino para a maturação da alma.
  • Necessidade do não-ser e o processo de aniquilação como condição para a agência divina.
    • O estágio de não-ser é essencial para que Deus possa operar sobre o indivíduo.
    • Fariduddin Attar já havia postulado a necessidade de ser devorado para a ascensão espiritual.
    • A vida é descrita como um movimento constante onde cada estágio exige a aniquilação do anterior.
    • — Com Deus está o melhor negócio: ele compra de você sua fortuna suja e dá em troca luz da alma.
  • Ascensão da alma através dos reinos da existência e o retorno à essência inefável.
    • A evolução do mineral ao humano é apresentada como uma sucessão de mortes e renascimentos.
    • — Eu morri como mineral e me tornei uma planta, morri como planta e me elevei a animal.
    • — Uma vez mais morrerei como Homem, para voar com anjos abençoados.
    • O não-existente representa a essência divina além da imaginação ou expressão.
  • Reinterpretações modernas e o debate sobre o evolucionismo na obra de Rumi.
    • Shibli, Khalifa Abdul Hakim e Afzal Iqbal buscaram paralelos entre os versos de Rumi e teorias de evolução ou desenvolvimento do ego.
    • Muhammad Iqbal interpretou os versos como uma busca eterna por liberdade e individualização.
    • Abdubaki Golpinarli vê nos versos a expressão da luta pela sobrevivência inerente à criação.
    • A interpretação puramente mística fundamentada em Hallaj enfatiza a ressurreição espiritual sobre conceitos pseudocientíficos.
  • Continuidade do desenvolvimento espiritual e a promessa da renovação interior.
    • A privação do ser exterior é comparada ao inverno, condição necessária para a primavera interior.
    • — Somente quando o homem se torna privado do ser exterior como o inverno, há esperança de que uma nova primavera se desenvolva nele.
  • Simbolismo da primavera como ressurreição e reflexo da beleza divina.
    • A primavera em Konya é vista como um dia de ressurreição que convoca flores do pó escuro.
    • A beleza do amado é percebida através de véus coloridos como rosas, jacintos e riachos.
    • As experiências sensoriais de jardins, trovões e perfumes são integradas à percepção da majestade divina.
  • Centralidade do amor fundamentado em Deus e a síntese da trajetória vital.
    • Rumi revelou segredos da oração mística como atos de graça divina.
    • A vida do poeta é resumida na experiência da combustão interna pelo amor.
    • — E o resultado não é mais que estas três palavras: eu queimei, e queimei, e queimei.
  • Expansão da fama de Rumi e a influência da ordem Mevlevi no Império Otomano.
    • No século quinze, a influência do Masnavi atingiu o leste de Bengala.
    • A ordem Mevlevi espalhou a palavra e a música de Rumi, mantendo estreita ligação com a corte otomana.
    • Centros da ordem foram estabelecidos no Egito e na Síria, embora a popularidade fosse maior entre falantes de persa.
  • Vestimentas rituais e o simbolismo dos trajes dos dervixes.
    • O vestuário inclui a túnica branca, a jaqueta de mangas longas e o manto preto descartado antes da dança.
    • O sikke, chapéu de feltro alto, tornou-se o sinal distintivo dos membros da ordem.
  • Regulamentação e execução do ritual do Samā.
    • O ritual envolve saudações rítmicas e um movimento circular acelerado sobre o pé direito.
    • A cerimônia é acompanhada por música de grande beleza, iniciando com hinos em honra ao Profeta.
    • Jalaluddin compôs o hino inicial utilizado nas cerimônias.
  • Contribuição dos Mevlevis para as artes clássicas otomanas.
    • Músicos como Itri foram influenciados pela tradição da ordem.
    • Calígrafos e miniaturistas pertencentes aos Mevlevis produziram exemplares refinados da arte muçulmana.
  • Tradição de comentários e traduções turcas do Masnavi.
    • Ismail Rusuhi Ankarawi e Ismail Haqqi Bursali escreveram comentários fundamentais nos séculos dezesseis e dezoito.
    • Suleyman Nahifi realizou a primeira tradução completa em versos turcos, preservando a métrica original.
  • Tributos poéticos e a persistência do culto a Rumi na Turquia moderna.
    • Ghalib Dede representou o auge da poesia clássica turca dentro da ordem Mevlevi.
    • O carinho popular por Rumi persiste apesar do fechamento das lojas de dervixes por Ataturk em 1925.
  • Preservação e estudo da obra no Irã e o trabalho editorial contemporâneo.
    • Khwaja Parsa utilizava o Divan de Shamsuddin para buscar presságios.
    • Badiuzzaman Furuzanfar produziu um texto autêntico do Divan, comparável ao trabalho de Reynold A. Nicholson.
  • Vasta influência no subcontinente indiano e o papel de Muhammad Iqbal.
    • Santos de Delhi como Nizamuddin Auliya estudaram o Masnavi desde o século quatorze.
    • Imperadores como Akbar e Aurangzeb, além de príncipes como Dara Shikoh, eram devotos da obra.
    • Zeb un-Nisa ordenou a composição de obras imitando o estilo de Rumi.
    • Muhammad Iqbal foi profundamente influenciado por Rumi, integrando seus versos em suas próprias obras.
    • — O santo Brahmin recitará o Masnavi.
    • Shah Abdul Latif incorporou citações de Rumi em sua poesia no vernáculo sindi.
    • A interpretação de Muhammad Iqbal destaca a força dinâmica e o espírito livre de Rumi em face de sistemas teosóficos rígidos.
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