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ORIENTAÇÃO DA ALMA

Vitray-Meyerovitch, MPI

Rumi enfatiza primeiramente a necessidade de uma tomada de consciência e de uma metanoia, tendo como objetivo conhecer pela visão efetiva.

  • Deus transforma o coração em sangue e lágrimas antes de gravar nele os mistérios, assim como a criança lava sua tábua antes de inscrever as letras.
  • A imaginação, a reflexão, a percepção sensorial e a compreensão são como a cana de junco sobre a qual as crianças cavalgam.
  • As ciências dos místicos transportam para as alturas, enquanto as ciências dos homens carnais são fardos, e quando o conhecimento é adquirido pela experiência mística torna-se uma ajuda, mas quando adquirido pelos sentidos torna-se um fardo.
  • Aquele cujo nicho de oração está voltado para a revelação mística considera que seu retorno à fé tradicional seria uma vergonha.

Convém primeiramente lavar o coração dos modos exotéricos de conhecimento, porque tais níveis de conhecimento ignoram a Via.

  • Os Sufis perfeitos abandonaram a forma e a casca do conhecimento e brandiram o estandarte da certeza mística, tendo o pensamento desaparecido e obtido a luz, a essência e a fonte última do conhecimento místico.
  • Para andar na mesma Via, é preciso ter um conhecimento cuja raiz está além, e onde cada ramo é um guia para sua raiz, sendo que só o conhecimento esotérico leva à Presença de Deus.

A nesciência constitui o verdadeiro conhecimento, e é para ela que se deve tender, pois a realidade do conhecimento consiste para o homem em reconhecer sua incapacidade de captar Deus em Sua própria sabedoria.

  • Abu-Bakr declarou que não poder compreender a compreensão já é compreender.
  • Deve-se dizer como os anjos Não temos conhecimento para que venha em auxílio Tu nos ensinaste.
  • Um tesouro de ouro está escondido, para maior segurança, em um lugar desolado e pouco conhecido, e deve-se buscar a resposta no mesmo lugar de onde veio a pergunta, vendendo a inteligência e comprando o deslumbramento em Deus.

O espírito em busca de certeza deve ultrapassar o plano da psicologia habitual.

  • A imaginação e a fantasia são como uma boneca necessária enquanto se é espiritualmente uma criança, mas quando o espírito escapa da infância e está em união com Deus, não precisa mais da percepção sensorial, da imaginação nem da fantasia.
  • A percepção é a medida da visão do mundo, e os sentidos impuros são o véu que impede de aperceber os santos, devendo-se lavar os sentidos com a água da clarividência.

Uma vez operada essa conversão do espírito, não se deve mais parar na Via, não permanecendo em nenhuma posição espiritual já ganha, mas desejando mais.

  • A Corte divina é o plano infinito, devendo-se deixar para trás o lugar de honra, pois é a própria Via que é o lugar de honra.

Rumi enumera três etapas na via do conhecimento: a opinião, a crença baseada na probabilidade; o conhecimento religioso que se funda na fé; e o conhecimento de certeza mística.

  • Cada opinião está sedenta de certeza e bate asas à sua procura, e quando chega ao conhecimento, a asa se torna um pé e o conhecimento começa a farejar a certeza.
  • Na Via da prova, o conhecimento é inferior à certeza, mas superior à opinião, sendo o conhecimento buscador da certeza, e a certeza buscadora da visão e da intuição.
  • A visão nasce imediatamente da certeza, assim como a imaginação nasce da opinião, e o conhecimento de certeza se torna a intuição de certeza.

O conhecimento transmitido oralmente, embora necessário, não basta para trazer a certeza buscada.

  • O olho diz ao coração que recebe uma resposta através do ouvido para ouvir a resposta vinda do olho e não prestar atenção à que provém do ouvido, pois o ouvido é uma alcoviteira enquanto o olho conhece a união.
  • O ouvido tem apenas palavras, e quando ouve, disso decorre uma transformação de qualidades, enquanto na visão do olho há uma transformação da essência.
  • Se o conhecimento do fogo só foi transformado em certeza por palavras, deve-se buscar ser cozido pelo fogo mesmo e não permanecer na certeza vinda de outrem, pois não existe certeza intuitiva antes de queimar.
  • Quando o ouvido é penetrante, torna-se olho; caso contrário, a palavra de Deus fica emaranhada no ouvido sem atingir o coração.

O ensino oral não pode comunicar o conhecimento esotérico, pois o que um só olhar apercebe é impossível durante anos de manifestar pela língua.

  • O que a visão intelectual capta em um só instante é impossível durante anos de ouvir pela orelha.
  • Esse conhecimento superior à audição se constitui, no entanto, a partir de elementos primeiramente ouvidos, devendo-se esforçar para fazer passar a ideia do ouvido ao olho.
  • O ouvido faz nascer uma ideia, e é ela que conduz à união com a Beleza.
  • Trata-se agora de se voltar para uma outra espécie de conhecimento, uma segunda conhecimento, que apresenta um certo número de caracteres específicos.
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