User Tools

Site Tools


mitologia:neumann:jaco-esau:start

Jacó e Esau

NEUMANN, Erich. Jacob and Esau: on the collective symbolism of the brother motif. Asheville, North Carolina: Chiron Publications, 2015.

  • Este manuscrito precoce de Erich Neumann, aqui publicado pela primeira vez após oitenta anos de incubação, abre-se como a abertura virtuosística de suas obras posteriores — e sua publicação retifica a crença do próprio Neumann de que não seria publicado.
    • Em um adendo manuscrito a uma carta a Jung em 1934, Neumann escreveu: “Seguirei sua sugestão de elaborar as 'Contribuições Simbólicas' ao problema de Jacó-Esaú. A grande dificuldade é a antes deprimente impossibilidade de uma publicação”
    • Jung é mencionado como destinatário da carta em que Neumann expressou seu pessimismo quanto à publicação
  • Trata-se da obra notável de um velho sábio — mesmo que ainda não chegasse aos trinta anos —, que com clareza superior explora o tema dos irmãos hostis e o princípio dos opostos, definindo-o como um problema fundamental da humanidade que reside no coração da alma humana.
    • As sementes de algumas das melhores obras de Neumann — em especial Psicologia Profunda e uma Nova Ética e As Origens e a História da Consciência — estão lançadas no solo em que o tema arquetípico de Jacó e Esaú é trazido à vida
    • A clareza das formulações reflete uma extraordinária maturidade de pensamento
  • O desejo de Neumann de elaborar sobre Jacó e Esaú e o motivo dos irmãos hostis foi inspirado pelo ensaio de Hugo Rosenthal, “Der Typengegensatz in der jüdischen Religionsgeschichte” — “A oposição de tipos na história religiosa judaica” —, que Jung havia incluído em seu Wirklichkeit der Seele — “A Realidade da Alma”.
    • Hugo Rosenthal é o autor do ensaio motivador da reflexão de Neumann sobre o tema
    • Martin Liebscher, em sua introdução a Analytical Psychology in Exile: The Correspondence of C.G. Jung and Erich Neumann, observa que o ensaio de Rosenthal foi resenhado por Neumann no Jüdische Rundschau em 27 de julho de 1934
    • Neumann, em sua correspondência inicial com Jung, compartilhou sua intenção de escrever sobre “psicologia judaica” a partir da história de Jacó e Esaú
  • Neumann escreveu Jacó e Esaú em 1934, concluindo partes do texto em dezembro daquele ano — e logo depois (1934–1940) começou a redigir um monumental manuscrito em dois volumes sobre as raízes experienciais do judaísmo, o significado psicológico do hassidismo e outros temas judaicos e religiosos.
    • Neumann continuou a se ocupar com Jacó e Esaú e escreveu a Jung que lhe enviaria “em breve um suplemento ao trabalho sobre Jacó-Esaú”, embora não se ouça mais nada sobre isso na correspondência posterior
    • Esse suplemento constitui parte essencial do manuscrito inteiro e compõe a primeira parte do presente livro
  • Enquanto a primeira carta significativa de Neumann a Jung foi escrita de Zurique na primavera de 1934, a carta seguinte foi escrita no início daquele verão, logo após sua chegada a Israel — momento em que o jovem Neumann estava estabelecendo os fundamentos de sua nova vida na antiga terra dos pais, reunindo e implementando a essência coletiva e cultural de sua identidade.
    • Essa identidade se baseava, entre outros fatores, numa compreensão aguçada da sombra — “que nós judeus estamos acostumados a reconhecer” —, da necessidade de atender à voz interior e da tensão entre espírito e terra no judaísmo e no sionismo
    • O profundo pensamento e a criatividade produtiva de Neumann são notáveis, considerando-se tanto sua jovem idade quanto a transição pessoal da Alemanha nazista para o Yishuv pré-estatal — designação do assentamento judaico na Palestina antes da criação do Estado de Israel
  • Neumann opta por falar em “alma do povo” e “inconsciente do povo” porque permitem, como ele mesmo diz, que “o estado real das coisas” brilhe através, em vez de ser ocultado pela “terminologia científica”.
  • Em Jacó e Esaú, Neumann explora os opostos que residem na alma do indivíduo, bem como nos níveis coletivo e cultural, definindo-os como um dos problemas fundamentais da existência humana — pois Jacó, representando o princípio da introversão, precisa reconhecer que a extroversão de Esaú, representando o mundo como outro, reside também dentro de si mesmo.
    • Nessa formulação pode-se encontrar a luta pessoal do próprio Neumann, bem como sua elaboração de sua própria identidade como judeu
  • Esta obra anteriormente desconhecida de Erich Neumann está dividida em três partes — “O Simbolismo de Jacó e Esaú”, “Sobre o Simbolismo Coletivo do Motivo dos Irmãos” e “Camadas do Inconsciente: A Interpretação da Mitologia” —, cuja ordem não foi determinada de forma conclusiva, pois a numeração de Neumann não era definitiva, tendo sido estabelecida após cuidadoso exame do manuscrito e a partir das correções manuscritas do datiloscrito pelo próprio autor.
    • O que se encontra na obra é uma circamambulação — movimento em torno de um centro — do simbolismo do motivo dos irmãos e do tema dos opostos
mitologia/neumann/jaco-esau/start.txt · Last modified: by 127.0.0.1