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ESTUDO
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- O período clássico da filosofia chinesa abrange aproximadamente trezentos anos, de 550 a 250 a.C., e Chuang Tzu — o maior dos escritores taoístas cuja existência histórica pode ser verificada — floresceu próximo ao final desse período.
- Lao Tzu, ao contrário de Chuang Tzu, não tem existência histórica verificável
- O capítulo 33 do livro de Chuang Tzu constitui o primeiro documento de história da filosofia chinesa de que se tem notícia no Oriente
- A compreensão da sutileza de Chuang Tzu exige situá-lo em seu contexto cultural e histórico, tanto em relação ao confucionismo que ele ridicularizava quanto em relação ao que veio depois dele.
- Mo Ti e Hui Tzu — este último lógico, contemporâneo, amigo e oponente constante de Chuang Tzu — representam as escolas que ele criticava
- O taoísmo popular posterior — amálgama degenerado de superstição, alquimia, magia e cultura da saúde — não deve ser confundido com o pensamento de Chuang Tzu
- Os verdadeiros herdeiros do pensamento e do espírito de Chuang Tzu são os budistas zen chineses do período Tang, entre os séculos VII e X d.C., embora sua influência tenha persistido em toda a cultura chinesa culta.
- Daisetz T. Suzuki — estudioso japonês do Zen — declarou Chuang Tzu o maior de todos os filósofos chineses
- O taoísmo sutil e místico de Chuang Tzu e Lao Tzu transformou o budismo indiano altamente especulativo no budismo humorístico, iconoclasta e prático que floresceu na China e no Japão como Zen
- A referência ao Zen pode ser uma pista valiosa, mas também um clichê enganoso, pois provar algo e compreendê-lo são experiências inteiramente distintas.
- A moda do Zen em certos círculos ocidentais reflete uma insatisfação com os padrões espirituais convencionais e com o formalismo ético e religioso, mas frequentemente esquece a rígida disciplina e os severos costumes tradicionais que o Zen pressupõe.
- Chuang Tzu poderia ser lido como pregador de uma liberdade sem controle — mas ele próprio seria o primeiro a dizer que não se pode pedir às pessoas que façam o que querem quando elas nem sabem o que querem
- A filosofia de Chuang Tzu é essencialmente religiosa e mística, inserida em uma sociedade em que todos os aspectos da vida eram vistos em relação ao sagrado
- Yang Chu se assemelha a Chuang Tzu no elogio da reclusão e no desprezo pela política, mas funda uma filosofia de evasão francamente egoísta, distinguindo-se fundamentalmente do pensamento taoísta.
- Yang Chu fundamentava sua filosofia no princípio de que a árvore maior e mais valiosa é a mais exposta ao furacão e ao machado do lenhador
- Mêncio disse de Yang Chu: “Ainda que pudesse beneficiar o mundo inteiro arrancando um único fio de cabelo, ele não o teria feito”
- Um personalismo que oferece apenas evasão destrói as relações sem as quais a pessoa não pode verdadeiramente desenvolver-se
- Personalismo e individualismo não devem ser confundidos, pois o personalismo dá prioridade à pessoa e não ao eu individual, respeitando o valor único e inalienável do outro tanto quanto o de si mesmo.
- A filosofia Ju de Confúcio e seus seguidores constitui um personalismo tradicional fundado nas relações e obrigações sociais essenciais à vida humana, por meio das quais o homem desenvolve seu potencial interior de amor, compreensão, reverência e sabedoria.
- O “Homem Superior” ou “Homem de Mente Nobre” da filosofia Ju é aquele em plena harmonia com o céu, a terra, seu soberano, seus pais e filhos e seus semelhantes pela obediência ao Tao
- O caráter desse homem é construído em torno de quatro virtudes fundamentais
- Jen — compaixão amorosa e devotada, carregada de empatia e sinceridade, às vezes traduzida como “coração humano” — é a primeira dessas virtudes
- Yi — senso de justiça, responsabilidade, dever e obrigação para com os outros — é a segunda virtude, e tanto Jen quanto Yi são completamente desinteressadas
- Li — mais do que correção exterior e ritual, é a capacidade de usar formas rituais para expressar plenamente o amor e a obrigação que ligam o homem aos outros e ao Céu-e-Terra; é uma contemplação litúrgica da estrutura religiosa e metafísica da pessoa, da família, da sociedade e do cosmos
- Os antigos liturgistas chineses “faziam observações de todos os movimentos sob o céu, dirigindo sua atenção às interpenetrações que neles ocorrem, com vistas a pôr em efeito os rituais corretos”
- Li conduz ao “eu litúrgico” superior, animado pela compaixão e pelo respeito diante do Céu — Tien
- Chih — sabedoria — abraça todas as outras virtudes em uma compreensão madura e religiosa que as orienta para sua realização viva
- Confúcio declarava que só aos setenta anos alcançara o ponto em que podia seguir os desejos mais íntimos do coração sem desobedecer ao Céu — o equivalente ao “Ama e faz o que quiseres” de Santo Agostinho
- Os ideais saudáveis e humanos do confucionismo eram implementados socialmente por uma estrutura de deveres, ritos e observâncias de extraordinária complexidade, e as críticas de Chuang Tzu ao Li não devem ser lidas à luz dos costumes casuais e desprovidos de sentido simbólico da modernidade.
- A China do século IV a.C. era provavelmente mais refinada, complexa e humana do que Roma Imperial, Cartago, Nínive ou Babilônia — cidades retratadas no Apocalipse de João como típicas da brutalidade, ganância e poder mundanos
- Chuang Tzu reagiu contra a doutrina Ju não em nome de algo inferior, mas em nome de algo inteiramente superior — e este é o fato mais importante a reter diante do aparente antinomismo de Chuang Tzu ou dos Mestres Zen.
- Chuang Tzu não exigia menos do que Jen e Yi, mas mais
- Sua principal queixa ao Ju era que ele não ia longe o suficiente: produzia funcionários bem comportados e cultos, mas os aprisionava em normas externas fixas, impedindo-os de agir com verdadeira liberdade criativa diante de situações imprevistas
- A filosofia Ju também apelava ao Tao, mas Chuang Tzu entendia que o Tao confuciano era apenas uma reflexão menor do Grande Tao — o Tao eterno que não pode ser nomeado, invisível e incompreensível.
- Confúcio podia dizer “meu Tao”, exigir que o discípulo “fixasse o coração no Tao” e declarar: “Se um homem ouve o Tao de manhã e morre à noite, sua vida não foi desperdiçada”
- Confúcio também afirmava que, se um homem chegasse aos quarenta ou cinquenta anos sem nunca “ouvir o Tao”, não haveria “nada digno de respeito nele”
- Lao Tzu, no primeiro capítulo do Tao Teh Ching, distinguiu o Tao Eterno — que não pode ser nomeado — do Tao que pode ser nomeado, a “Mãe de todas as coisas”
- O Tao de Confúcio era, em suas próprias palavras, “enfiar em um único fio os desejos do eu e os desejos do outro” — um Tao ético identificável com a Regra de Ouro
- O confucionismo, ao se desenvolver, subdividiu o conceito de Tao até torná-lo um princípio abstrato ético: o “tao da paternidade”, o “tao da filiação”, o “tao da conjugalidade”, o “tao do ministério”
- Quando influenciado pelo taoísmo, o pensamento confuciano pôde fazer desses taos humanos dedos que apontam para o Tao invisível e divino — como na tradição da pintura chinesa, em que “o propósito comum foi sempre reafirmar o tao tradicional e transmitir as ideias, princípios e métodos desenvolvidos pelos mestres de cada período como meios de expressar a harmonia do Tao”
- Somente no contato com o Tao misterioso — que está além de todos os seres existentes e não pode ser transmitido nem por palavras nem pelo silêncio, sendo apreendido em um estado que não é fala nem silêncio — é possível verdadeiramente compreender como viver
- Chuang Tzu observou com ironia que a busca do Tao ético torna-se ilusória quando se procura para outros o que é bom para si mesmo sem realmente saber o que é bom para si.
- A meditação chamada “Alegria Perfeita” nega que a felicidade possa ser encontrada pelo hedonismo ou pelo utilitarismo — o “motivo do lucro” de Mo Ti
- A vida de riqueza, ambição e prazer é uma servidão intolerável em que se “vive pelo que está sempre fora do alcance”, com sede de “sobrevivência no futuro” e “incapaz de viver no presente”
- Chuang Tzu critica também o servidor público heroico e abnegado, o “Homem Superior” da escola de Confúcio, apontando que sua busca pelo bem como objeto o coloca na mesma ambiguidade do hedonista e do utilitarista
- A preocupação de Chuang Tzu com o fato de que a própria bondade do bom e a nobreza do grande podem conter a semente oculta da ruína é análoga à preocupação de Sófocles e Ésquilo no Ocidente
- Chuang Tzu recusa-se a tomar partido na divisão entre o bem e o mal como objetos, pois entende que o próprio conceito de felicidade e infelicidade é ambíguo desde o início, situado no mundo dos objetos.
- Chuang Tzu concorda com o paradoxo de Lao Tzu: “Quando o mundo inteiro reconhece o bem como bem, ele se torna mal” — porque passa a ser algo que não se possui e que se deve perseguir incessantemente até tornar-se inatingível
- Quanto mais se busca o bem exteriormente como algo a adquirir, mais se recorre à análise e à divergência de opiniões; quanto mais abstrato se torna o bem, mais distante e inatingível ele parece, e mais complexos se tornam os meios para alcançá-lo — até que o estudo dos meios absorve todo o esforço e o fim é esquecido
- O resultado é uma devoção à inutilidade sistemática de praticar meios que não levam a lugar algum — um desespero organizado em que o bem pregado pelo moralista se torna ele próprio um mal
- O caminho do Tao começa com o bem simples que é dado pela própria existência, crescendo quietamente na humildade de uma vida simples e ordinária, de modo análogo, ao menos psicologicamente, à vida cristã de fé.
- O segredo do caminho proposto por Chuang Tzu é wu wei — o não-fazer ou não-agir —, que não está voltado para resultados nem preocupado com planos conscientemente elaborados ou empreendimentos deliberadamente organizados.
- “Minha maior felicidade consiste precisamente em não fazer absolutamente nada que seja calculado para obter a felicidade … A alegria perfeita é estar sem alegria … se você pergunta 'o que deve ser feito' e 'o que não deve ser feito' na terra para produzir felicidade, respondo que essas perguntas não têm uma resposta fixa e predeterminada” para cada caso
- Em harmonia com o Tao cósmico — o “Grande Tao” —, a resposta se manifesta por si mesma no momento de agir, segundo o modo divino e espontâneo do wu wei, que é o modo de ação do próprio Tao e, portanto, a fonte de todo bem
- O Tao Teh Ching, criticando a filosofia Ju, afirma: “a virtude mais elevada é não virtuosa e, portanto, tem virtude”, enquanto “a virtude inferior nunca se liberta da virtuosidade, portanto não tem virtude”
- Certa analogia pode ser razoavelmente percebida entre Chuang Tzu e São Paulo, embora não deva ser levada longe demais, pois Chuang Tzu não possui o misticismo teológico profundo do apóstolo.
- O ensinamento de Chuang Tzu sobre a liberdade espiritual do wu wei e a relação da virtude com o Tao interior é análogo ao ensinamento de Paulo sobre a fé e a graça, em contraste com as obras da Lei Antiga
- A relação do livro de Chuang Tzu com os Analetos de Confúcio não é diferente da relação das Epístolas aos Gálatas e aos Romanos com a Torá
- Para Chuang Tzu, o verdadeiro grande homem não é aquele que acumulou virtude e mérito por uma vida inteira de estudo e prática, mas aquele em quem o Tao age sem impedimento — o “homem do Tao”.
- O jovem discípulo de Keng Sang Chu, ansioso e perfeccionista, é enviado a Lao Tzu para aprender os “elementos”; a ele é dito: “se você persistir em tentar atingir o que nunca é atingido … em raciocinar sobre o que não pode ser compreendido, será destruído”
- Se o discípulo puder “saber quando parar”, esperar, escutar e abandonar seus esforços inúteis, “isso derrete o gelo” — e ele começará a crescer sem observar a si mesmo crescer e sem apetite por autoaperfeiçoamento
- John Wu sintetizou: “Para Chuang Tzu, o mundo devia ter parecido uma terrível tragédia escrita por um grande comediante. Ele via políticos intrigantes caindo nos poços que haviam cavado para os outros. Via estados predatórios engolindo estados mais fracos, apenas para serem engolidos por estados mais fortes. Assim, a tão alardeada utilidade dos talentos úteis provou ser não apenas inútil, mas autodestrutiva”
- Em “A Tartaruga”, Chuang Tzu recusa de modo categórico o convite para abandonar sua pesca à beira do rio e assumir um cargo na capital
- Em “A Coruja e a Fênix”, Chuang Tzu responde ainda mais diretamente a seu amigo Hui Tzu, que o suspeita de querer usurpar-lhe o cargo oficial
- O “homem do Tao” não comete o erro de abandonar a virtuosidade autoconsciente apenas para mergulhar em uma contemplação reflexiva ainda mais autoconsciente, pois qualquer “autocultivo” deliberado, sistemático e reflexivo — seja ativo ou contemplativo — corta o contato misterioso e indispensável com o Tao.
- O discípulo de Keng Sang Chu se frustra precisamente porque se tranca em uma cela e tenta cultivar qualidades que considera desejáveis enquanto elimina outras que despreza
- A verdadeira tranquilidade buscada pelo “homem do Tao” é Ying ning — tranquilidade na ação do não-agir —, que transcende a divisão entre atividade e contemplação pela união com o Tao invisível
- Chuang Tzu insiste em toda parte que isso significa abandonar a “necessidade de vencer”.
- Em “A Montanha dos Macacos”, Chuang Tzu mostra o perigo da esperteza e da virtuosidade
- Assim como Lao Tzu, Mestre Chuang prega uma humildade essencial: não a humildade da virtuosidade e da autoflagelação consciente, mas a humildade básica — ontológica ou cósmica — do homem que percebe plenamente seu próprio nada e se esquece totalmente de si mesmo, “como um toco de árvore seca … como cinzas mortas”
- Essa humildade cósmica é plena de vida e consciência, respondendo com vitalidade e alegria a todos os seres vivos, manifestando-se por uma simplicidade franciscana e uma conaturalidade com todas as criaturas.
- Metade dos personagens que falam o pensamento de Chuang Tzu são animais — pássaros, peixes, rãs e outros
- O taoísmo de Chuang Tzu é nostálgico do clima primordial do paraíso, em que não havia diferenciação e o homem vivia em paz consigo mesmo, com o Tao e com todas as criaturas
- Para Chuang Tzu, esse paraíso não é algo irrevogavelmente perdido pelo pecado; ele ainda é nosso, mas o esquecemos porque a vida em sociedade complica e confunde a existência, fazendo-nos obsessivos com o que não somos
- Essa autoconsciência que buscamos ampliar por todos os métodos é, na verdade, um esquecimento de nossas raízes verdadeiras no “Tao desconhecido” e de nossa solidariedade no “bloco não entalhado” — em que ainda não há distinções
- O ensinamento paradoxal de que nunca se encontra a felicidade enquanto se a procura não deve ser interpretado negativamente, pois trata-se de uma afirmação de que a felicidade pode ser encontrada, mas apenas pelo não-buscar e pelo não-agir.
- Um programa ou sistema situa a felicidade em apenas um tipo de ação, mas a felicidade e a liberdade que Chuang Tzu via no Tao estão em toda parte — pois o Tao está em toda parte
- Fung Yu Lan, em O Espírito da Filosofia Chinesa, página 77, sintetiza: o sábio “acompanhará tudo e acolherá tudo, tudo estando no curso de ser construído e no curso de ser destruído. Por isso ele não pode deixar de obter alegria na liberdade, e sua alegria é incondicional”
- O verdadeiro caráter do wu wei não é mera inatividade, mas ação perfeita — ato sem atividade —, realizada em perfeita harmonia com o todo, sem força, sem violência, sem ser condicionada pelas necessidades e desejos individuais nem pelas teorias e ideias do agente.
- É precisamente o caráter incondicional do wu wei que diferencia Chuang Tzu de outros grandes filósofos que construíram sistemas pelos quais sua atividade era necessariamente condicionada.
- Mo Ti pregava o “amor universal” — teoria segundo a qual todos os homens devem ser amados com amor igual e o indivíduo encontra seu maior bem no amor ao bem comum de todos
- Chuang Tzu percebeu que esse “amor universal” faz exigências tão severas à natureza humana que não pode ser realizado e, mesmo que pudesse, distorceria o homem e arruinaria sua sociedade — não porque o amor não seja bom, mas porque um sistema fundado em um princípio abstrato de amor ignora realidades fundamentais e misteriosas
- A sociedade de “amor universal” planejada por Mo Ti era sombria, sem alegria e severa, pois toda espontaneidade era vista com suspeita; as satisfações humanas da vida confuciana de amizade, ritual e música foram todas banidas por Mo Ti
- Chuang Tzu disse de Mo Ti: “Mo Ti não permitiria canto na vida, nem luto na morte … Apesar disso, os homens cantarão, e ele condena o canto. Os homens lamentarão, e ele ainda condena o lamento; os homens expressarão alegria, e ele ainda condena — isso está verdadeiramente em acordo com a natureza do homem? Na vida, trabalho; na morte, avareza: seu caminho é o da dureza de coração!”
- A irônica descrição fictícia do “Velório de Lao Tzu” oferece a Chuang Tzu a oportunidade de criticar não o luto em si, mas os laços artificiais formados pelo culto do mestre como Mestre — pois o “tao da discipleship” é, para Chuang Tzu, uma ficção que de modo algum pode substituir o Grande Tao.
- Que Chuang Tzu possa tomar um lado de uma questão em um lugar e o lado oposto em outro contexto indica que ele está, na realidade, além da disputa partidária — sua crítica social nunca é amarga ou dura, e a ironia e a parábola são seus principais instrumentos.
- Chuang Tzu reconhecia que o sábio se vê como os outros homens são, não se coloca acima deles, mas difere deles “em seu coração” por estar centrado no Tao e não em si mesmo — e “não sabe de que forma é diferente”
- A chave do pensamento de Chuang Tzu é a complementaridade dos opostos, visível apenas quando se apreende o “pivô” central do Tao, que atravessa tanto o “Sim” quanto o “Não”, tanto o “Eu” quanto o “Não-Eu”.
- Chuang Tzu concordaria com Heráclito: todos os seres estão em estado de fluxo; o que é impossível hoje pode tornar-se possível amanhã; o que parece certo de um ponto de vista pode manifestar-se como completamente errado de outro
- Quando uma visão limitada e condicionada do “bem” é elevada ao nível do absoluto, torna-se imediatamente um mal, pois exclui os elementos complementares necessários à sua plenitude
- “Obscurecer o Tao” é aferrar-se a uma opinião parcial e limitada como se fosse a resposta definitiva para todas as questões
- Quem apreende o pivô central do Tao retém sua perspectiva e clareza de julgamento, sabendo que a felicidade, levada ao extremo, torna-se calamidade; que a beleza, exagerada, torna-se feiura; que as nuvens se tornam chuva e o vapor sobe novamente para se tornar nuvem
- Chuang Tzu aplica o princípio da complementaridade ao trabalho do artista e do artesão, bem como ao ensino da filosofia.
- Em “O Entalhador de Madeira”, o artesão consumado não segue regras fixas e padrões externos — o superior trabalho de arte procede de um princípio espiritual oculto que, no jejum, no desapego e no abandono de toda esperança de lucro, descobre a árvore que espera ter aquela obra particular entalhada de si
- “Quando o sapato serve ao pé, o pé é esquecido”
- Em “Sinfonia para uma Ave Marinha”, Chuang Tzu critica não apenas o apego confuciano ao método e ao sistema, mas também o zelo equivocado e mal cronometrado na comunicação do Tao — pois o Tao não pode ser comunicado, ainda que se comunique a seu próprio modo, no momento certo
- Embora discordasse sistematicamente de seu amigo dialético Hui Tzu, Chuang Tzu fez amplo uso de suas ideias metafísicas, reconhecendo que seu próprio pensamento não era completo sem a “oposição” de Hui Tzu.
- Um dos mais famosos princípios de Chuang Tzu é o chamado “três de manhã”, extraído da história dos macacos cujo tratador planejava dar-lhes três medidas de castanhas de manhã e quatro à noite, mas, diante das reclamações, inverteu a ordem — e os macacos ficaram satisfeitos.
- O ponto da história não é que os macacos fossem tolos e o tratador esperto, mas que o tratador teve sabedoria suficiente para reconhecer que os macacos tinham razões irracionais de seu próprio jeito e não insistiu na disposição original
- Não desperdiçou tempo exigindo que os macacos fossem “mais razoáveis” quando macacos simplesmente não são esperados que sejam razoáveis
- É quando se insiste com mais firmeza em que os outros sejam “razoáveis” que se torna, por sua vez, irracional
- O ensinamento de Chuang Tzu segue o princípio do “três de manhã” e é igualmente à vontade em dois níveis: o do Tao divino e invisível que não tem nome, e o da existência simples, ordinária e cotidiana
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