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ASHTAVAKRA: Quando o desejo, nosso inimigo, e os objetos, plenos de insensatez, e nosso destino cá embaixo, causa dos dois primeiros, quando tudo isso desaparece, nada em parte alguma pode captar a tua atenção.
Como a magia de um sonho que pode durar três dias ou cinco, olha tudo o que te cabe em sorte: dádivas, esposa, casa, riqueza, terra e amigos.
Em qualquer lugar em que o desejo surja, sabe que ali escorre um mundo efêmero. Voltado a um desapego completo, desaparecido então todo desejo, podes alcançar a tranquilidade.
A natureza de um laço é ser puro desejo. Se este desaparecer, fala-se então de liberdade. O simples não-apego ao mundo outorga a alegria de conquistá-la a cada instante.
Tu somente és a consciência a quem nada afeta. Morto é este mundo, tal como o é o não-ser. Mesmo a ignorância nada é. Que desejo de conhecimento é esse que subsiste ainda em ti?
Reino, filhos, esposas, encarnações físicas e felicidades, ainda que lhes estejas apegado com todo o ser, isso já está morto, vida após vida.
Basta de coisas, basta de desejos, basta de ações ainda que bem executadas. Na selva do mundo móvel, o pensamento nunca se acha saciado.
Durante quantas vidas não executaste a ação com o teu corpo, o teu pensamento, as tuas palavras, a ação extenuante e funesta? Desde hoje, a essa ação, põe um termo definitivo.
