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vedanta:zimmer:zpi:7.4

7.4 Integridade e integração

ZIMMER, Heinrich. Philosophies of India. Edited by Joseph Campbell. New York: Pantheon Books, 1951.

SĀNKHYA E YOGA

1. Kaivalya exprime simultaneamente o isolamento absoluto e a plenitude do ser, designando a independência do puruṣa em relação aos processos materiais e, no contexto jainista, a condição do santo que, liberto da matéria cármica e das determinações individualizantes, permanece solitário e ilimitado, reunindo perfeição e onisciência.

2. Sāṅkhya-Yoga e jainismo compartilham a concepção dos deuses como seres celestes sujeitos ao renascimento, a realidade irredutível da matéria e a existência de inúmeras mônadas vitais distintas dela, divergindo do Vedānta tanto pela afirmação da realidade do mundo quanto pela multiplicidade dos princípios espirituais.

3. O Vedānta estabelece uma única essência última, Brahman, cuja manifestação aparece como multiplicidade de indivíduos, embora cada criatura seja, em realidade, essa mesma essência universal experimentada interiormente como o Eu.

4. Nos Yoga-sūtra, kaivalya conserva os sentidos de isolamento e perfeição, mas sua realização decorre do reconhecimento de que o puruṣa jamais esteve efetivamente comprometido com as transformações materiais, diferentemente da purificação cármica jainista e da identificação vedantina com Brahman, pois a mônada permanece eternamente livre mesmo quando essa liberdade nunca se torna consciente.

5. O desaparecimento dos impedimentos revela a verdadeira natureza do indivíduo e restitui poderes considerados extraordinários apenas pela perspectiva da existência habitual, uma vez que essas capacidades pertencem originalmente ao ser humano e permanecem inacessíveis enquanto os kleśa encobrem sua plenitude.

6. A imagem do filho do rei que desconhece sua ascendência simboliza a liberdade essencial jamais perdida, mostrando que o conhecimento libertador transforma a compreensão da realidade sem modificar a natureza do ser, cuja plenitude é recuperada mediante o abandono das identificações ilusórias.

7. Um príncipe afastado da capital por ter nascido sob um presságio desfavorável cresce entre habitantes das montanhas e se julga pertencente àquela condição, até que, após a morte do rei, um ministro revela sua origem e lhe permite abandonar imediatamente a identidade adotiva para reconhecer sua natureza e seus direitos reais.

8. A instrução do guru permite abandonar a identificação com os produtos de prakṛti e reconhecer o próprio ser intrínseco, mediante a compreensão de sua origem no Homem Primordial (ādipuruṣa), que, nessa formulação, conduz à certeza de que a condição presente de nascimento e morte não desfaz a identidade essencial com Brahman.

9. A parábola admite uma interpretação vedantina fundada na identidade expressa por “Tu és Isso” (tat tvam asi) e aproxima-se da compreensão budista do despertar para além da ilusão, enquanto Sāṅkhya e Yoga preservam a distinção do puruṣa como realidade separada e isolada, sem identificá-lo com um fundamento cósmico universal.

10. O reconhecimento da ascendência real transforma apenas a consciência do príncipe, permitindo-lhe distinguir sua natureza verdadeira da personalidade circunstancial, abandonar a identificação com a vida anterior como quem desperta de um sonho e integrar-se definitivamente à plenitude que sempre lhe pertenceu.

11. A remoção de um erro profundamente enraizado aproxima o despertar espiritual da experiência psicanalítica, pois a dissolução de uma fixação pode desfazer um conjunto de desconhecimentos e transformar espontaneamente tanto a compreensão de si quanto a aparência do mundo.

12. O exílio do príncipe por representar uma ameaça ao reino paterno aproxima a narrativa da tragédia de Édipo e das rivalidades dinásticas historicamente recorrentes, nas quais o nascimento de um herdeiro colocava em risco o poder e a vida do soberano, constituindo um problema clássico da ciência política de Kauṭilya.

13. Os conflitos entre soberanos e herdeiros aparecem em episódios de cegamento, prisão, deposição e morte associados a Bimbisāra, Ghiyāsu-d-dīn Tughlak, Shāh Jahān e Kunāla, revelando a recorrência de disputas familiares pelo poder e de intrigas nas quais rivalidade política e desejo amoroso se entrelaçam.

14. A ambivalência entre pai e filho, investigada pela psicanálise em suas manifestações inconscientes, apresenta-se de maneira explícita na vida dinástica e nos mitos de sucessão, como nas narrativas em que Zeus evita gerar um filho destinado a destroná-lo e Acrísio procura impedir o nascimento do descendente que causaria sua morte.

15. O motivo da superação da autoridade paterna simboliza a conquista da identidade essencial mediante o afastamento da herança sensorial, intelectual e cultural, e as parábolas do príncipe e do tigre criado entre cabras exprimem essa ruptura como abandono das identificações adotivas que impedem a maturidade e a integração plena do ser.

16. A realização última da filosofia ultrapassa os limites da razão e do pensamento ordenado, exigindo paradoxos, símbolos e imagens capazes de conduzir a mente para além dos pares de opostos e das restrições lógicas que delimitam a compreensão humana habitual.

17. A verdade transcendente compreende a coincidência dos opostos (coincidentia oppositorum), revelando uma identidade subjacente aos antagonismos e às transformações das coisas em seus contrários, de modo que a unidade e a multiplicidade se reconciliam no Ser eterno que sustenta a diversidade do devir.

18. A realidade transcendente recebe os nomes de Ser (sat) e Não-Ser (asat) por exceder o alcance das palavras e da mente, enquanto o conhecimento de Brahman elimina o medo e liberta das inquietações relativas ao bem e ao mal praticados, assegurando a realização do Eu.

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