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CONHECIMENTO

IRSA

  • O termo jnana é um substantivo formado sobre a raiz verbal jna — que denota de maneira geral a ação de conhecer — e embora seja frequentemente traduzido por “conhecimento”, pode significar conforme o contexto “consciência”, “cognição”, “saber”, “ciência” ou mesmo “gnose”, remetendo sempre a uma forma de conhecimento.
    • Jnana: cognição, conhecimento, consciência — termo sânscrito polissêmico que designa qualquer forma do ato de conhecer
    • Os filósofos budistas e os da Pratyabhijna entendem por jnana antes de tudo a ação de conhecer — conformando-se a um modelo filosófico indiano nascido da análise praticada pelos gramáticos, segundo a qual “conhecer”, como todo verbo, exprime uma forma de ação
    • O ato designado pela raiz jna é antes de tudo um ato de manifestação — pois o próprio da consciência é tornar as coisas manifestas, fazê-las aparecer
    • Ser consciente de um objeto — seja percebendo-o, imaginando-o, conceitualizando-o, lembrando-o ou sonhando-o — é antes de tudo fazer dele um fenômeno para a consciência
    • Por essa razão, a consciência é frequentemente designada nos textos indianos como prakasa — termo que em seu sentido mais literal designa a “luz”, pois jnana é o ato que “ilumina” o objeto
    • Prakasa: luz, manifestação — designação da consciência como aquilo que ilumina ou torna manifesto o objeto
  • A cognição não é apenas um ato de manifestação, pois a maioria dos filósofos bramânicos distingue na ação de conhecer um sujeito cognoscente — pramatṛ —, um objeto do conhecimento, um instrumento de conhecimento — pramana — e um resultado do conhecimento — prama, pramiti — mas os filósofos da escola de Dharmakirti e os da Pratyabhijna sublinham que no caso da consciência essas distinções perdem sua pertinência.
    • Pramatṛ: sujeito cognoscente — o agente do ato de conhecimento na análise epistemológica bramânica
    • Prama ou pramiti: resultado do conhecimento — o saber ou cognição resultante do ato de conhecer
    • Jnana — a cognição — não é apenas o ato pelo qual uma coisa é manifestada ou iluminada, mas também o fenômeno — abhasa, prakasa — que resulta desse ato de manifestação
    • Prakasa pode designar tanto o ato da manifestação quanto o fato de ser manifesto que dele resulta para o objeto manifestado
    • Budistas e filósofos da Pratyabhijna consideram que o ato pelo qual a consciência manifesta e a manifestação que dele resulta são uma única e mesma realidade
  • A cognição é ainda mais do que isso para os lógicos budistas e para os filósofos da Pratyabhijna, pois é também o meio de conhecimento — pramana — graças ao qual a ação de conhecer tem lugar — de modo que, por exemplo, a percepção é o meio ou instrumento de conhecimento particular graças ao qual o objeto se torna manifesto.
    • É apenas artificialmente, pela virtude do que a escolástica europeia chamaria de distinção de razão, que se distingue o que é para a consciência o meio de manifestar, o ato pelo qual manifesta e o resultado desse ato
    • Na realidade, essas três coisas formam uma única entidade — e é essa entidade única que budistas e filósofos da Pratyabhijna denominam “cognição” — jnana
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